BALL JOINTED ALICE, PINÓQUIO PERVERSO

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Priscilla Matsumoto é uma escritora jovem, mas que já mostra bastante maturidade. Seja em suas habilidades narrativas, seja na maneira como aborda temas difíceis.

Ball Jointed Alice não é para todos os estômagos ou cabecinhas. Acompanhamos aqui vários tipos de distúrbios mentais, de comportamento e familiar. Drogas, sexo e rock and roll, ou melhor dizendo, punk. Alguns podem classificar a história de emo, pelas atitudes sexuais, estados emocionais e referências à banda My Chemical Romance. Mas isso seria considerar apenas uma parte das influências da autora, que passam por Haruki Murakami e, claro, a Alice de Lewis Carroll.

Frank é um jovem perdido na vida, um artesão, que resolve criar uma boneca de molas, uma ball jointed doll, e a chama de Alice, nome de uma garota que se suicidou e por quem era apaixonado. Sem maiores explicações, a boneca ganha vida, como um Pinóquio contemporâneo. Junto com uma turma de amigos, ex-colegas de sanatório, e a curiosa Alice, Frank fará uma jornada pela cidade, cheia de excessos, de violência física e psicológica. O cenário se torna então um país das maravilhas bastante perturbador. Nem no mais louco dos seus sonhos Lewis Carroll poderia pensar numa versão tão delirante para sua Alice.

Realidade, sonho e pesadelo se misturam. Deixando protagonista e leitor sem chão, desconfiando de tudo. Quem viu o anime Perfect Blue consegue ter uma boa ideia do que se trata.

Dois nomes que não me saíram da cabeça enquanto eu avançava na trama foram Philip K. Dick e Kafka. O pesadelo da paranoia.

O maior mérito da autora foi saber dosar momentos de ação, o drama dos personagens sendo exposto, por meio de descrições e diálogos, e momentos de digressão, principalmente, de Frank, o narrador. Ela faz essa dobradinha com muita fluidez e uma poesia dura, de impacto. Além de lançar ideias sobre a vida e o mundo bem consistentes, iluminadas.

A autora também não sente nenhuma vontade de explicar muitas coisas estranhas que acontecem. E não precisa realmente. O clima de incertezas gera uma tensão constante, que deixa o leitor ligado na história.

Agora os problemas do romance estão em dois pontos.

Primeiro, os personagens. Frank é a única figura de fato interessante. Conhecemos a vida anterior e o que pensam os outros personagens. Mas nenhum deles tem a mesma dimensão de Frank. Tudo bem, ele é o narrador. Só que não é por isso que outros personagens não podem brilhar. Em Dom Casmurro, Capitu é vista o tempo todo pelo olhar do narrador, Bentinho. Capitu é uma personagem fascinante, retratada indiretamente e com menos espaço que o protagonista. Aqui não temos nada parecido. A interação dos personagens com Frank rende momentos divertidos, tocantes e profundos, mas os outros são sempre escada para entendermos ou nos apegar mais a Frank.

O segundo problema é o terço final do livro. É arrastado, cheio de explicações excessivas sobre o destino de personagens secundários e com uma sequência de filme de ação B apelativa. Uma total contradição com a poesia ora brutal, ora delicada de grande parte do romance, uma violência com causa mostrada anteriormente. Seria o caso dessa última parte sofrer uma edição severa, uma redução e reescrita.

Priscilla Matsumoto é uma autora de grande talento. Ela tem coragem e competência para criar uma literatura fora dos padrões, mas que consegue se comunicar.

A editora Draco fez um ótimo trabalho na versão em e-book, bem diagramada e com revisão quase perfeita. A capa incomoda pelo misto de inocência, sensualidade e terror estampado na imagem da boneca Alice, em seus olhos.

Ball Jointed Alice, de Priscilla Matsumoto, 212 págs., Draco

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE

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BRINCADEIRA DE MENINA

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Bizarro como um discurso não verbalizado, mas nada sutil, uma visão de mundo tacanha, pode afetar uma pessoa desde pequena.

Fui a um grande supermercado hoje e prestei atenção no que muitos consideram o óbvio. Na seção de brinquedos, havia, de um lado, os brinquedos dos meninos, com carros, aviões, naves, bonecos e jogos. Do outro lado, os brinquedos das meninas, com bonecas (geralmente loiras), utensílios de casa, kits de produção e embelezamento. Tinha jogos e carros, sim. Mas tudo era tão rosa que parecia praticamente uma parede uniforme.

No lado dos meninos, muitos bonecos dos Vingadores e de Star Wars. Mas nada de Viúva Negra nem Rey. Tinha até boneco de um personagem que nem lembro que estava em O Despertar da Força. Mas da protagonista não tinha.

Que dizer que mulher não pode aprender a ser badass também? A se defender e defender os outros, a se tornar heroína?

Essa postura do mercado, endossada por muitos pais, leva a todo tipo de abuso e de violência física e psicológica contra a mulher, desde criancinha.

CREED

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Creed é emocionante. O filme sabe dosar bem momentos de drama, sem apelar para a pieguice, e momentos de ação, cheios de energia.

O diretor Ryan Coogler mostra muita habilidade em criar um atmosfera verossímil, que te deixa ligado na tela o tempo todo, usando fotografia, montagem, efeitos sonoros e música, numa pegada bem contemporânea. Mas não é videoclipe. A direção das lutas é incrível por colocar o espectador quase em primeira pessoa, em planos-sequência muito bem coreografados, que não parecem “encenados”, artificiais.

O filme a todo instante faz referência à franquia Rocky. Mas os elementos do passado são integrados à trama de uma maneira bem mais orgânica do que em O Despertar da Força, por exemplo.

Além de um empolgante filme de boxe, Creed é um tocante drama familiar, que não deixa de ser divertido também, com um humor ora leve, ora bem safadinho.

O trio principal está muito bem (Stallone, Michael B. Jordan e Tessa Thompson). B. Jordan tem muita presença física, carisma e um arco complexo. Tessa Thompson interpreta uma personagem cheia de atitude. E não vejo Stallone tão bem acho que desde o primeiro Rocky. Ele está atuando mesmo, e não fazendo pose de astro de Hollywood. Esse é um Rocky frágil, ainda ingênuo, mas cheio de experiência sobre boxe, sobre a vida.

O tema clássico de Rocky toca apenas uma vez durante o filme. E é de arrepiar.

Creed – Nascido para Lutar (Creed, 2015), de Ryan Coogler, 133 min., New Line Cinema

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE

ENTREVISTA

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Esta entrevista foi originalmente publicada no blog da antologia Estranha Bahia, na qual participo como organizador e autor.

Quando a literatura entrou na sua vida?

Meu gosto pela leitura começou ainda criança, quando meus pais assinavam para mim e para meu irmão mais novo revistas em quadrinhos da Disney e da Turma da Mônica. Já adolescente, as aulas de literatura na escola me despertaram para os clássicos. Na verdade, mérito maior das obras do que dos professores. Depois me interessei por quadrinhos menos convencionais, por autores contemporâneos e de gêneros como policial e terror.

Por que escrever ficção?

A escrita é uma paixão. Tem gente que pula de paraquedas ou cozinha. Eu escrevo. Os mecanismos da escrita de ficção sempre me fascinaram. Um romance ou conto tem um poder incrível, diferente de outras mídias, de gerar todo tipo de reação apenas se usando palavras.

Qual o fascínio da FC para você?

Na verdade, como leitor, sou bem eclético. Gosto de ler muita coisa diferente. E quanto mais mistura melhor. No caso da ficção científica, o que mais me atrai é a possibilidade de especular sobre os limites do ser humano, como indivíduo e ser social. Seja a obra mais filosófica ou mais cômica, mais hard ou quase uma fantasia, podemos elaborar muitas reflexões interessantes sobre o papel da espécie humana no universo, ou universos.

Quem são suas influências na literatura, cinema, televisão, quadrinhos, mangá, animes?

De maneira geral, gosto de autores que subvertam a ordem e o senso comum, que pensem fora da caixa, como Philip K. Dick. Machado de Assis é um autor obrigatório no sentido de que seus contos e romances são absurdamente atuais, de grande elegância e força intelectual. Admiro muito autores do passado e do presente que representam hoje o que chamamos de diversidade, na luta por espaço de gente que sempre foi marginalizada, como Lima Barreto e Octavia E. Butler. Gosto muito dos roteiros de séries como Madmen, Sopranos, Boardwalk Empire, que valorizam muito a construção de personagem. Nos quadrinhos, leio mangás, DC, Marvel, Image, Gabriel Moon, Bá, Laerte, Angeli, Shiko…

Porque escrever um conto que mistura FC e policial?

Sou grande fã de romances policiais. E essa mistura é algo bastante comum em livros e filmes de FC. Os elementos do gênero policial (a investigação, o suspense, a ação) podem dar um ótimo dinamismo a uma história de ideias, que reflete sobre algum aspecto da sociedade. No caso do meu conto Raças, quis falar sobre questões de cor de pele, negritude, racismo, entendimentos sobre o que é raça, usando o contato de humanos com uma raça alienígena.

Qual a vantagem de participar de uma antologia de contos como a Estranha Bahia?

Como organizador, fazer novos amigos e editar um livro diferente com uma proposta pioneira, com textos muito legais e um projeto gráfico bacana.  Como autor, é mais uma forma de divulgar seu trabalho. Talvez a melhor forma, já que você tem pleno controle editorial do que vai chegar nas mãos dos leitores.

Como o autor nacional de terror, ficção científica e fantasia pode ganhar mais leitores?

O autor deve se destacar de alguma maneira. Na minha modesta opinião, isso deve começar pela qualidade da obra. Isso sempre é o mais importante. Mas seu trabalho também deve chegar aos leitores, que podem estar ávidos por novidades. Muitas vezes, esses leitores nem sabem que tais novidades existem. Mesmo publicado por uma grande editora, hoje em dia, o autor é meio empresário de si mesmo. Ele tem que fazer seu nome e sua obra circular. Mas nunca perdendo o foco de que a obra é mais importante que o autor. As redes sociais são fundamentais para que as pessoas te conheçam, conheçam alguma coisa de sua obra e criem expectativa quando um livro é lançado.

Quais autores nacionais de terror, ficção científica e fantasia você pode recomendar?

Camila Fernandes, Gerson Lodi-Ribeiro , Jim Anotsu, Alec Silva, Rochett Tavares, Priscilla Matsumoto, Lidia Zuin, Clara Madrigano, André Carneiro, Roberto de Sousa Causo, Nelson de Oliveira, Braulio Tavares, Lúcio Manfredi, Max Mallmann, Cesar Alcázar, J. M. Beraldo, Alliah, Heloisa Seixas, Martha Argel, Lady Sybilla, Ana Lúcia Merege, Roberta Spindler, Cristina Lasaitis.

 

BINTI, AFROFUTURISMO E IDENTIDADE

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A americana Nnedi Okorafor disse, certa vez, que, como não havia ficção para ela ler sobre a África no futuro, particularmente, a Nigéria, terra dos seus pais, ela resolveu escrever suas próprias histórias. Binti é um excelente exemplo desse projeto.

Uma novela tão empolgante, pelo seu texto sedutor e ideias potentes, que você consegue terminá-la de um só fôlego.

Binti é uma garota muito curiosa, matemática brilhante e filha de um fabricante de astrolábios. Ela faz parte do povo Himba. Um povo que dá valor ao conhecimento, mas muito fechado em si, bastante apegado às tradições. Quando Binti decide viajar para outro planeta, onde se encontra a universidade mais prestigiosa da galáxia, gera-se uma crise familiar. Os poucos Himba que deixam o planeta natal se tornam párias.

Binti então fica dividida entre o amor e respeito por seu povo e cultura, e o fascínio pela nova vida como estudante de matemática de elite.

Na nave que a leva, ela é a única pessoa do povo Himba a bordo, com sua pele escura, cabelo enrolado num coque afro e com otjize espalhada pelo rosto e tranças, uma espécie de argila vermelho-alaranjada, símbolo fundamental em sua cultura.

Binti se sente novamente dividia com o acolhimento de um grupo de estudantes, futuros colegas de universidade, (depois de um estranhamento inicial) e a curiosidade espantada e racista de tripulantes e passageiros, gente Koush, um povo humano dominante.

A novela se encaminha para uma história de formação, cheia de atitude, mas convencional, quando, numa reviravolta sanguinolenta, a viagem especial se torna cenário de uma eletrizante história de terror, com a chegada do povo alien Medusa, inimigos mortais dos Koush.

Podemos dizer que, a partir daí, a novela começa para valer. De fato, esta é uma história de formação, mas cheia de surpresas fora do comum, tanto para Binti como para o leitor.

Binti é uma mulher negra, matemática, construtora de astrolábios, muito decidida, mas também frágil na incerteza do que o futuro lhe reserva longe de casa, na universidade, e em seu contato com o povo Medusa. Contato que fica mais complexo e tenso à medida que o tempo vai passando na nave, que pode custar sua vida.

A força da prosa da autora está em elaborar um texto simples, fluido, muito gostoso de ler, que levanta ideias pouco convencionais sobre os papeis da mulher, sede de conhecimento, poder do estado, tradição, modernidade e negritude. É uma história principalmente sobre a identidade que escolhemos para nós mesmos, a partir de nossa cultura e da relação com culturas diferentes.

É um texto ora brutal, ora cheio de amor. Okorafor subverte as convenções da ficção científica para tornar o gênero mais vibrante.

Binti, de Nnedi Okorafor, 96 págs., Tor

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE

RAÇAS

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Elogiar a si mesmo tem um pouco ou muito de babaquice. Mas acabo de terminar a versão final de uma noveleta para a antologia Estranha BAHIA​. Cerca 12 mil palavras, 23 páginas no word, espaço simples. Depois de anos e anos de muita leitura, muitos textos jogados fora ou engavetados e alguns poucos publicados, começo a perceber uma maior consistência no meu trabalho. Essa noveleta é um divisor de águas pra mim. Na minha opinião, totalmente comprometida, é superior ao meu primeiro romance ou a qualquer outra coisa que já publiquei. Chama-se Raças. É um história que mistura FC e policial, com uma pitada, principalmente, de K. Dick, Asimov, John Scalzi, Kameron Hurley, Hammett, Chester Himes, Patricia Highsmith, C.J. Cherryh, Ursula K. Le Guin e Kristine Kathryn Rusch. O cenário é uma Salvador do futuro, em que humanos convivem abertamente com uma raça alienígena, com intercâmbio de culturas, mas muita tensão também, muito preconceito de ambos os lados. O protagonista é um policial negro que divide seu tempo entre o serviço na Força e os casos que investiga, como detetive particular, para quem possa pagar seu preço. É um anti-herói num mundo corrompido. Confiram um trecho:

Confesso que, mesmo como um policial veterano, senti um frio na espinha. Eu não sou como Carlão, metido em esquemas fortes, de grana alta. Sempre me vi como peixe pequeno. Talvez por isso ninguém nunca mexeu comigo. Ou foi pura sorte mesmo. Se algum dia Carlão meter uma bala na minha nuca, apenas minha filha vai chorar por mim. Carlão me odeia de graça, mas ele mesmo já me disse que me respeita mais do que os filhos da puta metidos a padre da Força. Ele me considera um cara estranho, mas alguém do mesmo time. Mesmo time o caralho! Desculpe, doutora… É que eu não fico tocando o terror, barbarizando.

“Boa noite, doutor Camargo.”

Nem percebi o garçom chegar com minha bebida.

Ele também tinha olhos púrpuros.

Colocou o copo na mesa.

Agradeci.

Ele se retirou.

Observei o copo. As folhas de hortelã flutuando no líquido transparente chegavam a brilhar naquele ambiente de luz azulada.

Tomei um gole modesto. Tive certa dificuldade pra mexer o rosto.

A melhor vodka que tomei na vida.

As folhas de hortelã tocaram meus lábios. Senti um frescor intenso.

Minha vontade era de continuar bebendo, mas segurei a onda. Precisava me concentrar na missão.

Coloquei o copo na mesa.

Tentei reconhecer alguém famoso. Afinal, estava no lugar mais badalado e exclusivo da cidade.

E precisava ser alguém realmente famoso. Não acompanho muito internet nem cinema. O rosto da figura tinha que estar em todos os lugares pela mídia.

Olhei pro lado e percebi um grupo de quatro ou cinco, mulheres e homens, relativamente próximos de mim. Todos estavam animados, conversando, rindo, bebendo. Pareciam todos humanos. Não davam bandeira, mas com certeza estavam sob o efeito de alguma droga, além do álcool. Nada tão forte como cristais de elad ou de hazrt, mas com certeza alguma outra droga alien mais leve.

Eu podia jurar que a garota de pele clara e cabelo escuro com mechas prateadas era apresentadora de algum programa no mytube, sobre games, moda, filmes… assuntos ligados aos jovens.

Eu jurava que tinha visto Sumaya, minha filha, vendo esse programa algumas vezes, quando ainda tinha seu smarty e não aquele porqueira de pulseira holográfica. E também jurava que já tinha visto o rosto daquela garota em algum cartaz de propaganda por Salvador.

Deixei o grupo pra lá.

Peguei o copo da bebida. Desta vez, o gole foi mais generoso.

Por um instante, fiquei meio aéreo, a mente longe, observando as pessoas dançando na pista central.

De início, eu não estava focando em ninguém. Mas uma mulher acabou chamando minha atenção. Ela era negra, cabelo black power, o vestido deixava as costas nuas. Estava na cara que adorava dançar e fazia aquilo muito bem. Já o cara que estava com ela estragava o cenário. Não que ele fosse péssimo. Mas ela dançava como uma profissional, e ele não passava de um esforçado amador.

Então, doutora, não acreditei no que via.

Era ele. O dançarino era a porra do advogado!

Me ajeitei no sofá.

Não estava vendo coisas. Não estava confundindo ninguém. Era ele mesmo.

Era o mesmo cara das fotos e vídeos que Mânica tinha me mostrado. Não era só a fisionomia. Era o jeito dele também. A maneira como se movimentava, expansivo, elétrico.

Bruninho pros amigos. Doutor Villa Corrêa pros clientes. E os inimigos o chamavam de quê? Cara, vou fazer você falar, pensei na hora.

FINN AINDA FICOU DEVENDO

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O personagem Finn é uma evolução dentro da obra mais amada da cultura pop. E a cultura pop é importantíssima. É o espaço social mais dinâmico, envolvendo gosto, comportamento e representação.

Ter uma renovação de atitudes na franquia Star Wars significa uma tentativa de quebrar preconceitos por dentro do sistema. Naquilo que, simbolicamente, é importante para muitas pessoas. E para a indústria, onde o dinheiro está de verdade.

Finn é um dos protagonistas. Ele não é Lando Calrissian (meu personagem preferido da saga, mas um coadjuvante de luxo) nem Mace Windu (subaproveitado). Agora, realmente, Finn se encontra na linha tênue entre a caricatura e o avanço.

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Lupita Nyong´o                                           Mace Windu                                           Lando Calrissian

Sempre se criticou muito quando atores negros participavam dos filmes apenas como alívios cômicos. Enquanto eu assistia ao Despertar da Força, isso passou pela minha cabeça. Então quer dizer que Finn não pode ser engraçado só porque ele é negro? Ele pode. Mas lá estão alguns velhos clichês na composição do personagem. Ele poderia ser engraçado de outro jeito, de uma maneira mais afirmativa e independente.

Outro problema é que só existe ele como um personagem negro de destaque. Avanço mesmo seria se houvesse outros, com outros tipos de atitude. Lupita Nyong’o, que faz a alien Maz Kanata, poderia ser uma jedi ou uma sith incrível, representando uma mulher negra.

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Maz Kanata

Para saber mais:

Star Wars despertou a força, mas ainda precisa despertar para uma imagem mais justa e equilibrada do negro

Star Wars VII: Precisamos falar como todas as mulheres são brancas, todos os negros são homens

PRÓXIMOS PROJETOS

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2016 e 2017 serão anos de bastante trabalho. Minha meta é escrever, pelo menos, 10 contos e/ou noveletas, uma novela e um romance.

Decidi participar do maior número de antologias que eu puder. Quero enviar contos de terror, ficção científica e fantasia. Antologias são importantes porque dão visibilidade e, principalmente, seus contos são avaliados por outras pessoas, gente que não conhece você, gente que escolherá seu texto pela qualidade. A questão é saber para onde enviar sua história. E nunca pague nenhum centavo para participar de antologias.

Além disso, quero escrever contos para autopublicação na Amazon.

A novela se chamará Os Impérios. Será um misto de homenagem e subversão ao subgênero da science fantasy, popular na primeira metade do século 20, e que ganhou desdobramentos em várias mídias nas décadas seguintes. Alguns nomes da era de ouro são Leigh Brackett, C.L. Moore, Henry Kuttner e Edgar Rice Burroughs. A ideia é utilizar cenários e convenções das histórias tradicionais, mas com uma pegada mais contemporânea, com maior complexidade política, social e psicológica. Sairá em e-book e numa bela edição impressa.

O segundo romance continua sendo meu projeto juvenil, ou YA. Ele mudou de título. Vai se chamar Kalandra. É algo mais fácil de trabalhar do que O Caso Bizarro da Filha do Magnata. Mas o conteúdo permanece. Será uma mistura de FC e fantasia numa Salvador do futuro, povoada por hackers, feiticeiros e lutadores de espadas, gente de todas as cores e crenças. É meu livro mais ambicioso. Saíra num único volume, em e-book e impresso.

Planos são sujeitos a alteração por uma série de motivos. Os ventos mudam, o entusiasmo acaba, novas ideias surgem. Mas meu objetivo é manter a rota, concretizar esses projetos.