ENTREVISTA

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Esta entrevista foi originalmente publicada no blog da antologia Estranha Bahia, na qual participo como organizador e autor.

Quando a literatura entrou na sua vida?

Meu gosto pela leitura começou ainda criança, quando meus pais assinavam para mim e para meu irmão mais novo revistas em quadrinhos da Disney e da Turma da Mônica. Já adolescente, as aulas de literatura na escola me despertaram para os clássicos. Na verdade, mérito maior das obras do que dos professores. Depois me interessei por quadrinhos menos convencionais, por autores contemporâneos e de gêneros como policial e terror.

Por que escrever ficção?

A escrita é uma paixão. Tem gente que pula de paraquedas ou cozinha. Eu escrevo. Os mecanismos da escrita de ficção sempre me fascinaram. Um romance ou conto tem um poder incrível, diferente de outras mídias, de gerar todo tipo de reação apenas se usando palavras.

Qual o fascínio da FC para você?

Na verdade, como leitor, sou bem eclético. Gosto de ler muita coisa diferente. E quanto mais mistura melhor. No caso da ficção científica, o que mais me atrai é a possibilidade de especular sobre os limites do ser humano, como indivíduo e ser social. Seja a obra mais filosófica ou mais cômica, mais hard ou quase uma fantasia, podemos elaborar muitas reflexões interessantes sobre o papel da espécie humana no universo, ou universos.

Quem são suas influências na literatura, cinema, televisão, quadrinhos, mangá, animes?

De maneira geral, gosto de autores que subvertam a ordem e o senso comum, que pensem fora da caixa, como Philip K. Dick. Machado de Assis é um autor obrigatório no sentido de que seus contos e romances são absurdamente atuais, de grande elegância e força intelectual. Admiro muito autores do passado e do presente que representam hoje o que chamamos de diversidade, na luta por espaço de gente que sempre foi marginalizada, como Lima Barreto e Octavia E. Butler. Gosto muito dos roteiros de séries como Madmen, Sopranos, Boardwalk Empire, que valorizam muito a construção de personagem. Nos quadrinhos, leio mangás, DC, Marvel, Image, Gabriel Moon, Bá, Laerte, Angeli, Shiko…

Porque escrever um conto que mistura FC e policial?

Sou grande fã de romances policiais. E essa mistura é algo bastante comum em livros e filmes de FC. Os elementos do gênero policial (a investigação, o suspense, a ação) podem dar um ótimo dinamismo a uma história de ideias, que reflete sobre algum aspecto da sociedade. No caso do meu conto Raças, quis falar sobre questões de cor de pele, negritude, racismo, entendimentos sobre o que é raça, usando o contato de humanos com uma raça alienígena.

Qual a vantagem de participar de uma antologia de contos como a Estranha Bahia?

Como organizador, fazer novos amigos e editar um livro diferente com uma proposta pioneira, com textos muito legais e um projeto gráfico bacana.  Como autor, é mais uma forma de divulgar seu trabalho. Talvez a melhor forma, já que você tem pleno controle editorial do que vai chegar nas mãos dos leitores.

Como o autor nacional de terror, ficção científica e fantasia pode ganhar mais leitores?

O autor deve se destacar de alguma maneira. Na minha modesta opinião, isso deve começar pela qualidade da obra. Isso sempre é o mais importante. Mas seu trabalho também deve chegar aos leitores, que podem estar ávidos por novidades. Muitas vezes, esses leitores nem sabem que tais novidades existem. Mesmo publicado por uma grande editora, hoje em dia, o autor é meio empresário de si mesmo. Ele tem que fazer seu nome e sua obra circular. Mas nunca perdendo o foco de que a obra é mais importante que o autor. As redes sociais são fundamentais para que as pessoas te conheçam, conheçam alguma coisa de sua obra e criem expectativa quando um livro é lançado.

Quais autores nacionais de terror, ficção científica e fantasia você pode recomendar?

Camila Fernandes, Gerson Lodi-Ribeiro , Jim Anotsu, Alec Silva, Rochett Tavares, Priscilla Matsumoto, Lidia Zuin, Clara Madrigano, André Carneiro, Roberto de Sousa Causo, Nelson de Oliveira, Braulio Tavares, Lúcio Manfredi, Max Mallmann, Cesar Alcázar, J. M. Beraldo, Alliah, Heloisa Seixas, Martha Argel, Lady Sybilla, Ana Lúcia Merege, Roberta Spindler, Cristina Lasaitis.

 

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