CORRA QUE OS BRANCOS VÊM AÍ!

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Corra! é um filme brilhante. A intenção do diretor e roteirista Jordan Peele era promover uma reflexão sobre a condição do negro americano por meio de uma sátira, uma mistura de terror psicológico e comédia. Também podemos dizer que este é um dos melhores filmes de ficção científica dos últimos anos.

O hype é real. Principalmente, porque Peele conseguiu mostrar seu ponto de vista sem comprometer, em nenhum momento, o envolvimento do espectador com a narrativa, a trama. Corra! faz a gente pensar justamente por causa de sua história muito bem contada. Ao acompanharmos o horror passado pelo protagonista, entendemos todos os temas relevantes levantados pelo filme. O que é estar na pele de uma pessoa negra. Qual a ameaça que isso representa para sua própria vida pelo simples fato de você ser negro.

A grande sacada aqui não é mostrar antagonistas explicitamente racistas, gente que odeia pessoas negras, que quer matá-las violentamente. O contrário é mais assustador. Em Corra! os brancos adoram, idolatram os negros. Mas sua versão distorcida de admiração gera uma violência ainda mais perturbadora. Na verdade, esse fascínio pela figura do negro é superficial. Porque, mais uma vez, a dignidade de pessoas negras é tratada como coisa de quinta categoria, algo a ser descartado.

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Os temas de Corra! são muito sérios. Mas o filme é engraçado demais! Entenda: o humor não é de jeito nenhum leviano, insensível, inapropriado ou fora de lugar. Jordan Peele é um comediante muito famoso nos EUA. Ele é um dos criadores e protagonistas de Key & Peele, um programa no Comedy Central. É imperdível. No show, Peele faz diversos comentários sobre a condição do negro americano em esquetes hilários e afiados. Inclusive, alguns dos esquetes são bem assustadores, verdadeiras peças de comédia do absurdo.

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Então os fãs de Key&Peele podem ver em Corra! uma versão apurada das possibilidades de fazer terror, comédia e nonsense de Peele. É impressionante como no filme o terror não atrapalha a comédia e vice-versa. A habilidade do diretor em mudar o tom é mais um elemento que fez dessa produção barata um enorme sucesso de bilheteria. Custou US$4,5 milhões e até agora faturou mais US$ 214 milhões.

Outro triunfo é a escalação do elenco. Todos estão muito bem, novatos, desconhecidos e veteranos. O britânico Daniel Kaluuya faz o protagonista, o americano Chris, de forma tão convincente, com expressões faciais e corporais discretas, mas marcantes. A performance de Catherine Keener é magnética, numa atuação contida e poderosa. Outro destaque é o comediante Lil Rel Howery, no papel do melhor amigo de Chris. Ele rouba todas as cenas em que aparece.

Mas Corra! também tem seus problemas. Peele foi muito feliz em investir mais no terror psicológico, em mexer mais com nossas cabeças, do que no gore. Mas não evitou certos clichês do terror, certos sustos, principalmente, usando a trilha sonora macabra (aliás, excelente e original, com elementos hitchockianos, um toque de blues, R&B e música africana, sem estereótipos). E no terceiro ato, quando tudo é revelado ao espectador, algumas soluções fazem sentido, outras não. A grande revelação faz sentido. O motivo de Chris estar no meio daquela gente branca tão educada e amistosa. Mas outras revelações laterais não se encaixam, poderiam ter um rumo diferente, um melhor desenvolvimento, mais de acordo com o propósito dos antagonistas. Sim, estou falando do comportamento dos outros personagens negros daquela comunidade.

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Na sua estreia como diretor, Jordan Peele surpreende por sua segurança e ambição. Ele é um cinéfilo. Percebemos isso ao longo da trama, com suas referências a clássicos da ficção científica e do terror.

Corra! é um filme que nunca vimos antes. É uma poderosa reflexão sobre as várias faces do racismo no formato de uma sátira divertida e assustadora.

Corra! (Get Out), de Jordan Peele, 103 min., Blumhouse Productions, QC Entertainment e outros.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE

HITLER, ESCRITOR DE FICÇÃO CIENTÍFICA

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Publicado em 1954, Lord of the Swastika é a obra mais conhecida do autor de ficção científica Adolf Hitler. Acompanhamos a história de Feric Jaggar, um homem geneticamente perfeito que tem a ambição de varrer da face do planeta todo tipo de aberração mutante num mundo pós-nuclear.

Na verdade, o romance de Norman Spirad é um livro dentro de um livro, publicado em 1972. The Iron Dream é o texto integral do fictício Lord of the Swastika, acompanhado de um prefácio com a vida e obra do Hitler autor e um ensaio sobre seu clássico. Tudo faz parte do jogo metalinguístico dessa mistura de sátira e fantasia.

Nessa linha do tempo, Hitler deixa a Alemanha, depois de enfrentar problemas políticos, e emigra para os EUA, em 1919. Mas, tanto dentro como fora de Lord of the Swastika, Spinrad não está muito preocupado em criar universos alternativos verossímeis.

A intenção de Spirad foi construir uma ficção heroica exagerada, a partir da mentalidade delirante de Hitler. A linguagem é ridiculamente épica, com frases de efeito e uma sintaxe derramada. Ou seja, o livro é intencionalmente ruim.

O herói de Hitler é determinado, estrategista perfeito e cheio de razão. Os outros personagens são camaradas subordinados ou inimigos da pior espécie, aberrações. As primeiras cem páginas são movimentadas e o leitor consegue desfrutar as várias camadas do romance de Spinrad. Aquele universo leva o herói muito a sério e aí está a graça da coisa.

The Iron Dream é mais fantasia do que ficção científica. Principalmente, porque o herói puro, que se acha acima da maioria das outras criaturas, muitas retratadas como deformadas e vis, comporta-se como os protagonistas das histórias de espada e magia. Lembramos logo de Conan.

Portanto,  The Iron Dream também serve como uma crítica afiada à literatura de fantasia em geral, com seus heróis brancos e destemidos contra inimigos considerados inferiores, bestiais.

O livro não deixa de ser bastante violento, com a representação física da ideologia do herói em banhos de sangue empregando-se cassetetes, armas de fogo, balas de canhão, lança-chamas, bombas aéreas e por aí vai. O que leva o leitor a perceber como o racismo, a xenofobia, o machismo e a megalomania podem transformar o espírito de grupo, toda uma sociedade, numa força de destruição.

Infelizmente, o maior problema de The Iron Dream é que a piada se torna longa demais e vai perdendo a graça. A trama se torna repetitiva e previsível ao acompanharmos a ascensão do herói sem muitos obstáculos, sem nenhum dilema interior. Ainda mais para aqueles que conhecem um pouco da história da ascensão do próprio Hitler. Há toda uma analogia relacionada às disputas internas entre os nazistas, à Segunda Guerra Mundial, à União Soviética e aos judeus. Se The Iron Dream fosse uma novela, reuniria muito bem seus melhores momentos.

O romance se recupera nos capítulos finais com uma reviravolta chocante e provocativa.

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The Iron Dream, de Norman Spinrad, 288 páginas, Gateway.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE

A MONTAGEM PERFEITA DE MATRIX

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A transição de cenas é um dos aspectos mais importantes de um filme. É a mudança de uma cena para a próxima. Ela pode ser feita de várias maneiras. Exemplo 1 de transição: uma luta de boxe termina, o boxeador protagonista é derrotado CORTA PARA o boxeador se lamentando no chuveiro. Exemplo 2: um casal tem uma briga CORTA PARA uma praia CORTA PARA a mulher conversando com uma amiga. No caso de Matrix, as transições são brilhantes e essa é uma das razões do sucesso narrativo do filme. É uma história contada com paixão em cada detalhe, o que faltou nas sequências. As transições de Matrix mostram como edição de imagens, edição de som, diálogos, roteiro e storyboard podem fazer para cativar o espectador do começo ao fim. O vídeo do youtuber Patrick Willems explica como Matrix é um filme tecnicamente perfeito e o que isso contribuiu para que se tornasse um clássico.

MEU CONTO NA SOMNIUM N°113

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A revista Somnium é a publicação de ficção científica mais antiga em atividade no Brasil. Iniciativa do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica), ela já teve edições em papel, por muitos anos, no formato semi-profissional. Agora as edições são exclusivamente digitais e gratuitas. Editores são convidados pelo presidente para organizar a revista, num esforço de membros do CLFC para escrever textos, selecionar contos e diagramar cada número.  Acaba de sair o número 113. Participo com o conto Aynin Candé, uma mistura de new weird, cyberpunk e afrofuturismo. Tenho a honra de estar ao lado de autores muito bacanas. Inclusive ídolos, como Carlos Orsi, Luiz Bras e Gerson Lodi-Ribeiro. Para ler a edição atual e várias outras é só clicar na capa.

DEADPOOL NA UNIVERSIDADE

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O escritor Clinton Davisson acabou de publicar um artigo do seu mestrado, Deadpool e A Quarta Parede – Uma Análise das Narrativas de Metalinguagem. Ele fala sobre o poder do cinema, especialmente o americano, no imaginário popular, e a influência que os filmes têm em nossas vidas, como fuga e retorno à realidade. Mostra como a sétima arte se transformou bastante nos últimos anos, apostando em novas formas de narrativa, interagindo com outras plataformas e dando ao público maior poder de decisão (na verdade, sendo forçada a isso), ao ponto de acabar com a reputação de um filme ou fazê-lo acontecer. E, recentemente, Deadpool se tornou a fusão mais bem sucedida de todos esses elementos. O artigo tem reflexões e insights bem interessantes sobre a relação cinema-linguagem-espectador. Pessoalmente, fiquei feliz em ver uma resenha minha sobre Deadpool entre as citações. O artigo é curtinho e pode ser baixado de graça. Vale muito a pena a leitura.

LEGION, X-MEN COM LSD

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A série Legion é a coisa mais diferente que já vi, na TV ou cinema, envolvendo super-heróis. O canal FX deu carta branca para o badalado showrunner Noah Hawley virar o universo dos x-men pelo avesso.

A narrativa de Legion é inspirada em diretores como Michel Gondry, David Lynch e Stanley Kubrick. A direção de arte é uma mistureba interessante de referências dos anos 60, 70 e atuais. Uma solução para cortar custos, mas que funcionou muito bem para dar um visual único à série. Outro atrativo é a trilha sonora. Quem curte aqui Pink Floyd?

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Provavelmente, o espectador médio, mesmo fãs da Marvel, vai achar tudo muito estranho e difícil de acompanhar. Há heróis, vilões e superpoderes, mas a atmosfera de sonho, de delírio talvez não agrade quem esperava uma narrativa mais linear, menos subjetiva.

A verdade é que Legion deu um novo fôlego às adaptações de super-heróis. Mesmo que pouca coisa dos quadrinhos tenha sido usada. Mas há uma ligação direta com os x-men, o que pode ser mais explorado no futuro.

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A história gira em torno do protagonista David Haller, interpretado com competência e carisma por Dan Stevens. Ele é o centro de tudo. Mas há espaço para o desenvolvimento dos outros personagens, até dos vilões. Mas quem rouba o show é Aubrey Plaza com sua performance ligada no 220v. Outro que faz a diferença é Jemaine Clement, com seu Oliver Bird irônico e bon-vivant.

Legion não é perfeito. Lá pelo meio, a criatividade dos roteiros cai de rendimento, dando voltas que não levam a lugar nenhum, para se recuperar no final. E quando se exige mais dos efeitos especiais, fica evidente a falta de grana para algo mais sutil. A série acompanha a tendência atual. São oito episódios que focam em um grande arco. Talvez a trama ficasse melhor amarrada em seis episódios.

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A segunda temporada já está confirmada. A questão é saber o que Hawley vai fazer daqui para frente. Os índices de audiência da primeira temporada não foram lá essas coisas para o padrão americano. Na casa de 1 milhão de espectadores ou menos por episódio. O canal FX reconhece a importância artística de Legion, mas sabe que é um produto difícil de vender. Para a série não acabar antes de fechar sua história, ela precisa de mais audiência. E geralmente, mais audiência significa concessões.

Mas não sofra por antecipação. Veja Legion. Abra sua mente e se divirta.

Legion, criada por Noah Hawley, 8 epsiódios (aprox. 50 min. cada), FX Productions, Marvel Television e outros.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE

A DIFERENÇA ENTRE ANTOLOGIA E COLETÂNEA

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Ana Lúcia Merege, a autora de fantasia de maior destaque no país, e Flávio Moreira da Costa, escritor e organizador de diversas antologias de sucesso, me esclareceram a diferença entre antologia e coletânea. Segundo Flávio, até as editoras fazem confusão.

O dicionário Michaelis on line tem como uma das definições de antologia:

3 Coletânea de textos literários, em prosa ou verso, selecionados das obras de autores célebres, dispostos segundo critérios diversos: tema, época, autoria etc.; seleção, seleta.

No mesmo Michaelis, temos as definições para coletânea:

1 Excertos seletos e reunidos de diversas obras.
2 Coleção de diferentes obras ou coisas.

Flávio diz que, no caso de livros de contos para submissão de textos inéditos e/ou já publicados, o melhor é chamar de coletânea, sendo que tais livros podem ser temáticos.

Ana Lúcia reforça dizendo que antologia é amostra de algo:

“Assim, normalmente antologias reúnem contos já publicados, pinçados de outras publicações. Coletânea é uma coleção de contos, reunidos por tema, autor… ou não. Inéditos ou não. Toda antologia é também uma coletânea, mas nem toda coletânea é uma antologia.”

Para Flávio, dicionários nem sempre são confiáveis. A experiência no mercado editorial também conta.

Leia um comentário que ele escreveu a respeito de alguns lançamentos:

ATENÇÃO! DEFESA DO CONSUMIDOR LITERÁRIO:
ANTOLOGIA NÃO É COLETÂNEA., COLETÂNEA NÃO É ANTOLOGIA (INDEPENDENTE DO QUE POSSA DIZER ALGUM DICIONÁRIO POUCO INTELIGENTE.)
1.
A “ANTOLOGIA” DE POEMAS (DITA NO PRÓPRIO SUBTÍTULO) DE ADRIANA CALCANHOTO, NÃO PASSA DE UMA COLETÂNEA. SOBRE A QUALIDADE DO LIVRO, NÃO SEI (AMADOR NETO DESANCOU A BOA INTENÇÃO DA CANTORA). E me espanta COMO A EDITORA NÃO PERCEBEU O ERRO DE CHAMAR O LIVRO DE “ANTOLOGIA”
2
ANUNCIADO UM LIVRO DE CONTOS COMO “ANTOLOGIA” (QUANDO TAMBÉM É UMA COLETÂNEA) COM BASE NOS SAMBAS DE NOEL ROSA, UMA IDÉIA BOA.
QUE O LEITOR COMUM MISTURE COLETÂNEA (SEM OBRIGAÇÃO DE CERTA PERENIDADE, E COM AUTORES LONGE DE SEREM “ANTOLÓGICOS”, porque ainda recentes!!)) COM ANTOLOGIA (QUE A CRÍTICA DO TEMPO FEZ P/ REGISTRO HISTÓRICO, NA REALIDADE), DÁ PARA ENTENDER. MAS EDITORES E ESCRITORES DEVERIAM SABER UM POUCO MAIS SOBRE O ASSUNTO.
(Atenção 2: esta nota não é em causa própria. Juro.)

Para o escritor e tradutor Fábio Fernandes, a confusão entre os termos antologia e coletânea, no Brasil, possivelmente tem a ver com a prática do mercado editorial americano. Lá tudo é antologia, de autores novatos, veteranos, contemporâneos ou clássicos, conforme definição do dicionário Merriam-Webster on line:

anthology

1:  a collection of selected literary pieces or passages or works of art or music […]

Mas, assim como Flávio, Fábio alerta para as limitações de dicionários em relação à realidade. É provável que, “[…] A cultura anglófona editorial tornou o termo mais abrangente”. No final das contas, Fábio considera que a diferença dos termos não importa muito. “Eu continuo achando que eles estão mais certos lá. Mas enfim, são dois mercados que não se misturam, então não faz diferença ao fim e ao cabo.”

No caso do mercado editorial brasileiro, se você pensa em organizar um livro de contos de FC, terror e/ou fantasia, melhor chamá-lo de coletânea. Deixe as antologias para os autores já estabelecidos.

PARABÉNS AOS INDEPENDENTES!

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No dia 18 de março, comemora-se o Indie Book Day, o Dia da Publicação Independente, iniciativa do editor alemão Daniel Beskos. É uma forma de incentivar os leitores a prestigiar livrarias e editoras independentes.

As editoras independentes preenchem uma demanda de mercado importante, principalmente, na literatura de gênero: ficção científica, terror, fantasia e outros. Muitas vezes, oferecem aos leitores livros mais instigantes dos que as grandes casas. Além de abrir as portas para autores nacionais talentosos.

Mas meu foco aqui será sobre a autopublicação, essa guerra do exército de um autor só.

Acho que não é mais novidade para ninguém dizer que autopublicação é coisa séria. Antes considerada um mero puxadinho do mercado editorial, coisa de farofeiro, atualmente, editoras e agentes estão atentos a essa produção, a fim de garimpar novos sucessos de vendas. Claro que não é tão simples assim, e está longe de ser um conto de fadas. Mas o grande benefício que a autopublicação trouxe para autores e leitores foi a publicação de livros que as editoras deixaram passar.

Um livro bom nem sempre desperta o interesse de uma editora. Por uma série de fatores, cronograma de publicações, tendências do mercado, potencial de vendas. Editoras precisam pagar contas num negócio de risco. Não dá para apostar em um autor novato só porque seu livro é bom. É uma questão de sorte também para o autor. Estar no lugar certo, na hora certa. Editoras não descobrem mais autores. Elas apostam no que é mais ou menos garantido, seja no thriller independente que todo mundo comentou nas redes sociais ou no romance erótico que bombou no Wattpad.

Dar o salto do independente para ser cuidado por uma editora, por menor que ela seja, é algo que deve ser almejado, mas não a qualquer custo. Autopublicação significa trabalho em dobro para o autor, que se torna, mais do que nunca, empresário de sua própria carreira, mas também significa liberdade em dobro. Pesquisando e contratando as pessoas certas, um livro independente pode ter, hoje em dia, a mesma qualidade do que um livro das melhores editoras. Mas aí vêm os problemas: o custo do livro será mais alto para o independente, haverá maior dificuldade para divulgação e distribuição. Claro que há o e-book, mais barato de produzir (nem tanto assim) e mais acessível. Mas o livro físico ainda é um sonho para o autor e um conforto para o leitor. Sendo que edições em papel mais caprichadas estão ganhando a preferência do público.

A questão é que, mesmo que você publique um livro por um editora, isso não significa que todos os seus outros livros seguirão o mesmo caminho. Há livros que as editoras não querem publicar e ponto, ou porque não fazem parte da linha editorial delas, ou porque não acreditam no seu projeto, por mais profissional que sejam forma e conteúdo.

Uma porta para outras oportunidades, um fim em si mesmo, não importa, a autopublicação veio para ficar e precisa ser levada a sério, principalmente, por quem a produz.