PARABÉNS AOS INDEPENDENTES!

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No dia 18 de março, comemora-se o Indie Book Day, o Dia da Publicação Independente, iniciativa do editor alemão Daniel Beskos. É uma forma de incentivar os leitores a prestigiar livrarias e editoras independentes.

As editoras independentes preenchem uma demanda de mercado importante, principalmente, na literatura de gênero: ficção científica, terror, fantasia e outros. Muitas vezes, oferecem aos leitores livros mais instigantes dos que as grandes casas. Além de abrir as portas para autores nacionais talentosos.

Mas meu foco aqui será sobre a autopublicação, essa guerra do exército de um autor só.

Acho que não é mais novidade para ninguém dizer que autopublicação é coisa séria. Antes considerada um mero puxadinho do mercado editorial, coisa de farofeiro, atualmente, editoras e agentes estão atentos a essa produção, a fim de garimpar novos sucessos de vendas. Claro que não é tão simples assim, e está longe de ser um conto de fadas. Mas o grande benefício que a autopublicação trouxe para autores e leitores foi a publicação de livros que as editoras deixaram passar.

Um livro bom nem sempre desperta o interesse de uma editora. Por uma série de fatores, cronograma de publicações, tendências do mercado, potencial de vendas. Editoras precisam pagar contas num negócio de risco. Não dá para apostar em um autor novato só porque seu livro é bom. É uma questão de sorte também para o autor. Estar no lugar certo, na hora certa. Editoras não descobrem mais autores. Elas apostam no que é mais ou menos garantido, seja no thriller independente que todo mundo comentou nas redes sociais ou no romance erótico que bombou no Wattpad.

Dar o salto do independente para ser cuidado por uma editora, por menor que ela seja, é algo que deve ser almejado, mas não a qualquer custo. Autopublicação significa trabalho em dobro para o autor, que se torna, mais do que nunca, empresário de sua própria carreira, mas também significa liberdade em dobro. Pesquisando e contratando as pessoas certas, um livro independente pode ter, hoje em dia, a mesma qualidade do que um livro das melhores editoras. Mas aí vêm os problemas: o custo do livro será mais alto para o independente, haverá maior dificuldade para divulgação e distribuição. Claro que há o e-book, mais barato de produzir (nem tanto assim) e mais acessível. Mas o livro físico ainda é um sonho para o autor e um conforto para o leitor. Sendo que edições em papel mais caprichadas estão ganhando a preferência do público.

A questão é que, mesmo que você publique um livro por um editora, isso não significa que todos os seus outros livros seguirão o mesmo caminho. Há livros que as editoras não querem publicar e ponto, ou porque não fazem parte da linha editorial delas, ou porque não acreditam no seu projeto, por mais profissional que sejam forma e conteúdo.

Uma porta para outras oportunidades, um fim em si mesmo, não importa, a autopublicação veio para ficar e precisa ser levada a sério, principalmente, por quem a produz.

COMO EDITAR UM CONTO

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Meu conto de terror e mistério Uma Noite Qualquer saiu no site A Taverna. Foi publicado originalmente aqui blog para o Halloween de 2015. Em 2016, o enviei para o canal/site Homo Literatus. O editor Vilto Reis criou a série Pitacos, na qual o público mandava contos para seleção e análise. Meu conto participou do segundo episódio. Fiquei muito gratificado pela, ao mesmo tempo, implacável e generosa avaliação. Vilto soube criticar com propriedade. Apontou problemas e reconheceu qualidades. Ele sugeriu que eu reescrevesse o conto. Foi o que fiz.

ANIVERSÁRIO DA ESTRANHA BAHIA

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Neste mês de março, nossa antologia Estranha BAHIA faz aniversário de 1 ano de publicação. Para comemorar a data, vamos lançar uma promoção muito especial.

Para participar a pessoa terá que fazer uma resenha da antologia e postar na Amazon, Skoob ou Goodreads. Fernando, O Taverneiro, do site A Taverna (https://goo.gl/1m5BYF), foi convidado para ser o avaliador das resenhas.

O autor da melhor resenha ganhará 1 exemplar físico Estranha Bahia + marcadores + um livro físico da Amazon de até R$ 30,00 (valor considera livro + frete).

As resenhas poderão ser postadas até o dia 31 de março. Resenhas postadas anteriormente já estão concorrendo. O resultado será divulgado no dia 10 de abril.

Amazon: https://goo.gl/6VAHJN

Skoob: https://goo.gl/3Z9Za1

Goodreads: https://goo.gl/o8LFZN

OBS.: A entrega dos prêmios considera envio para o território nacional. Autores e equipe da Estranha Bahia estão vetados de concorrer.

A CORAGEM DO OSCAR

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Nunca fiquei tão feliz em estar errado. Na véspera do Oscar, chamei a Academia de covarde pelo favoritismo de La La Land. Mas Moonlight ganhou o prêmio de melhor filme. No final, a gafe histórica da troca de envelopes deu ainda mais emoção ao anúncio do verdadeiro vencedor.

A Academia premiou um filme que olha para o futuro, tanto na temática quanto na execução. Moonlight é um vigoroso estudo de personagem. Um filme com substância, honesto e sábio. E realizado com ousadia. Roteiro, montagem, fotografia, trilha sonora, atuações. Elementos combinados para quebrar tabus e estereótipos. Não foi feito para ganhar Oscar, mas acabou levando. E esse é o papel da premiação. Indicar e premiar o que de melhor o cinema americano pode produzir.

O Oscar foi um clube fechado por décadas. É uma tradição que Hollywood criou para adular a si mesma. Mas o prêmio precisa se reinventar. O mundo não gira mais em torno dele. Nem a própria indústria lhe dá tanta importância.

Moonlight custou 1,5 milhão de dólares e faturou até agora 26 milhões. É um sucesso de bilheteria, mas bastante modesto, comparado às grandes produções americanas. Do ponto de vista financeiro, o Oscar não interessa mais para os estúdios e executivos. A bilheteria de todos os nove indicados a melhor filme equivale ao faturamento de uma ou duas produções da Marvel.

Por que muita gente fica atenta aos festivais mundo afora? Pela habilidade desses eventos em mostrar filmes que de fato tem algo a dizer, com uma nova maneira de fazer cinema. Tirando erros e polêmicas, o saldo continua muito bom. Temos a chance de ver filmes de vários países. Cineastas, atores e outros profissionais da área são descobertos ou têm sua consagração em Cannes, Berlim, Veneza, Sundance.

Esta história de filme feito para ganhar Oscar tem que acabar. Geralmente, são produções com linguagens cansadas e esquecíveis. Os filmes relevantes têm que ser produzidos e cabe à Academia encontrá-los. Em meio à máquina de moer gente de Hollywood, a função da Academia é inspirar pessoas a dar o seu melhor como cineastas e seres humanos.

A COVARDIA DO OSCAR

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Os filmes do Oscar já deixaram de ser relevantes para a indústria. Não geram mais tendências, não guiam mais os estúdios para o que será produzido no ano seguinte. Para os executivos que dão o sinal verde, soltam a grana, fazem as ideias no papel acontecer, são os blockbusters que importam, há pelo menos uma década.

Claro que ganhar Oscar dá prestígio para produtores, diretores e roteiristas, pode mudar a carreira de atrizes e atores e até reforçar a bilheteria. Este ano, a maioria dos indicados a melhor filme foi sucesso de público do cinema independente, dando excelente retorno financeiro para seus investidores. Mas o público médio de cinema não se importa com esses filmes. E o faturamento deles fica bem atrás dos grandes sucessos, por exemplo, da Disney (Marvel/Star Wars), Universal (Velozes e Furiosos/Meu Malvado Favorito) e Warner (Animais Fantásticos/DC).

É por isso que o Oscar devia ser mais ousado em suas indicações e vencedores. O franco favorito deste ano é La La Land. Um filme que me desinteressou por completo por feder a nostalgia. Seria incrível se Moonlight, sobre autoconhecimento, homossexualidade, negritude e maravilhosamente executado, fosse o grande vencedor da noite. 

O Oscar devia sair do limbo, deixar de ser um clube vip. Devia indicar e premirar filmes de fato relevantes. Tornar-se uma referência crítica, a consciência de Hollywood. Porque o prêmio já deixou de ser o termômetro da indústria há muito tempo.

CANIVETE SUÍÇO HUMANO

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Swiss Army Man é o filme mais filosófico sobre peido que você vai encontrar. Na verdade, flatulências são mais uma metáfora no caleidoscópio de significados dessa produção, ao mesmo tempo, tão vulgar e poética. Tecnicamente, o filme é perfeito. A fotografia é bonita sem ser artificial. A montagem é dinâmica, mas não parece videoclipe. A trilha sonora é outro triunfo, numa mistura de melancolia e êxtase. Inclusive vemos aqui uma espécie de musical, bem fora dos padrões. Os efeitos especiais e sonoros são loucos. Acontece um absurdo atrás do outro, mas você compra cada ideia. São muito bem executados e criativos.

Na maior parte do tempo, há um equilíbrio eficiente entre momentos de contemplação e de comédia alucinada. Só que nem sempre o ritmo é acertado. Mesmo sendo curto, o filme perde força lá pelo meio. Mas consegue se reerguer, tornando-se interessante e profundo novamente. A comédia vai dando cada vez mais espaço para o drama até a revelação final.

Paul Dano arrasa mais uma vez, numa performance exigente, sutil, cheia de camadas emocionais. E Daniel Radcliffe prova finalmente que existe vida após Harry Potter. Como um cadáver filosófico peidão, ele mostra que é um ator completo. É divertido na comédia e convincente no drama. E seu trabalho de corpo é incrível.

Os diretores Daniel Scheinert e Daniel Kwan (conhecidos como Daniels) fizeram Swiss Army Man para mostrar sua versão de coisas que odeiam, como piadas de peido no cinema, musicais e filmes de superação, como Náufrago. O título nacional, Um Cadáver para Sobreviver, é horroroso. O título original faz referência ao personagem de Radcliffe, que se transforma num canivete suíço humano literalmente.

Um Cadáver para Sobreviver (Swiss Army Man, 2016), de Daniels, 97 min., Tadmor e outros.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE

PROBLEMÃO MADE IN CHINA

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Depois de muitos anos, revi Os Aventureiros do Bairro Proibido, do mestre John Carpenter. Um filme obrigatório na Sessão da Tarde. Muitas vezes, não é uma boa ideia revisitar coisas amadas do passado, na infância e na adolescência. A decepção pode ser difícil de suportar. Mas também é tão legal quando o sonho não acaba. Revi Os Aventureiros… na Netflix com a dublagem clássica, que para mim já faz parte do filme.

Continua divertido. As falhas agora ficaram mais evidentes, principalmente, o roteiro basicão (com uma ligação rasa e apressada dos eventos), além do machismo que coloca donzelas em perigo. O barato são os diálogos bregas e a mise-en-scène pop sem pé nem cabeça, com artes marciais, monstros subterrâneos e alta magia.

O filme é uma mistura de estereótipos e homenagens à cultura chinesa. Com um elemento ousado para os anos 80 de Reagan: o herói de ação é o sidekick chinês, enquanto que o protagonista branco é o alívio cômico. Os efeitos especiais, a maquiagem e a trilha sonora marcaram toda uma geração de fãs.

ESTRANHA BAHIA, UM DOS MELHORES LIVROS DE 2016

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Estou chocado! A antologia Estranha Bahia, na qual participo como organizador e autor, foi selecionada por César Silva, uma das maiores autoridades em ficção especulativa no país, como um dos LIVROS ESSENCIAIS DE 2016, AUTORES BRASILEIROS. O blog de César tem de ser acompanhado por todos que se interessam pela fatia do nosso mercado editorial voltada para FC, fantasia e terror. Ele é um analista atento e sincero. Por isso, suas avaliações têm tanto peso. Muito orgulhoso de fazer parte de uma equipe tão talentosa (Alec Silva, Rochett Tavares, Nanuka Andrade, Isabelle Neves, Evelyn Postali, Tarcísio Silva, Alexandre Alex Mendes, Cristiane Schwinden), que transformou uma ideia vaga em algo muito concreto e especial. A edição em papel está esgotada, mas a versão em e-book está disponível na Amazon. Para adquiri-la é só clicar na capa. Leia e diga pra gente o que achou.

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EU SOU ATEU

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Recentemente saiu uma matéria sobre a dificuldade de aceitação dos ateus no Brasil por serem minoria em um país tão religioso. Primeiro, devo dizer que sou ateu. Segundo, que isso pouco afeta meu dia a dia. E terceiro, que não gostei da matéria. Achei-a muito genérica. Claro que ateus em cidades menores têm suas vidas mais afetadas por suas convicções. No interior, geralmente, a vida social gira em torno das igrejas. Mas a matéria vacila ao não ouvir gente das periferias, que sofre a mesma pressão religiosa. Colocaram entrevistados de classe média como os mais oprimidos. E ainda citaram o escritor Richard Dawkins como referência, um ateu fundamentalista, que se acha o dono da verdade.

Não acredito que religião seja o ópio do povo. É uma questão complexa, parte da cultura humana. Se todas as religiões fossem apagadas da cabeça das pessoas hoje, amanhã outras surgiriam. Envolve uma série de questões da relação das pessoas consigo mesmas, com os outros, a natureza, o planeta, o Universo. Religiões são interpretações dos mistérios da existência e representações culturais da vida em sociedade. Neste caso, meu ateísmo acaba sendo mais uma interpretação, a partir do que procurei investigar e do que me foi apresentado ao longo da vida.

Agora fico irado com qualquer fundamentalista e aproveitador que explora a fé das pessoas, gera violência e interfere na vida pública para atingir direitos. O estado deve ser laico e qualquer um que diga o contrário vai comprar briga comigo. Não deve existir no currículo da rede pública aula de religião e nenhuma outra prática que favoreça essa ou aquela crença. Para isso, existem escolas específicas e os ambientes de convívio da família do aluno. Devem existir aulas ou oportunidades na escola pública em que todas as religiões sejam debatidas e todos os pontos de vista apresentados. As mulheres devem ter os mesmos direitos que os homens de tomar decisões sobre sua mente e seu corpo e nenhuma religião pode interferir nisso.  

Fico triste, enojado e revoltado com a intolerância geral, que é histórica e não uma invenção recente. Agora dizer que já fui discriminado porque sou ateu seria mentir. Como disse a escritora e editora Clara Madrigano, tente ser umbandista no Brasil para ver o que é discriminação.

ESCREVA CONTOS

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Escrever contos só traz vantagens. Você aprende a apurar o texto. Conquista os primeiros leitores. Tem as primeiras críticas sobre seu trabalho. As primeiras chances de visibilidade. Mas escrever contos nunca vai te ensinar a escrever romances. Acertar o ritmo de um romance é algo complicado. Por isso, escreva seus romances, mesmo que nunca saiam da gaveta. Um dia algo bom pode surgir. E continue escrevendo contos. Todo autor deve ter a ambição de escrever, pelo menos, um conto memorável na vida.