SCI-FI (POEMA FANTÁSTICO 3)

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Sci-Fi

There will be no edges, but curves.
Clean lines pointing only forward.

History, with its hard spine & dog-eared
Corners, will be replaced with nuance,

Just like the dinosaurs gave way
To mounds and mounds of ice.

Women will still be women, but
The distinction will be empty. Sex,

Having outlived every threat, will gratify
Only the mind, which is where it will exist.

For kicks, we’ll dance for ourselves
Before mirrors studded with golden bulbs.

The oldest among us will recognize that glow—
But the word sun will have been re-assigned

To the Standard Uranium-Neutralizing device
Found in households and nursing homes.

And yes, we’ll live to be much older, thanks
To popular consensus. Weightless, unhinged,

Eons from even our own moon, we’ll drift
In the haze of space, which will be, once

And for all, scrutable and safe.

(Tracy K. Smith)

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4 LIVROS DE CONTOS INCRÍVEIS ESCRITOS POR MULHERES

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Esses quatro livros de contos dão voz às mulheres da maneira completa possível. Ou seja, mostram que elas podem ser o que bem entender. O que muitos consideram ser loucura, vulgaridade, petulância e desvio, as mulheres chamam de liberdade e igualdade de direitos. Nem todas as mulheres desses contos têm plena consciência do seu feminismo, mas todas são personagens tridimensionais. Sabem o que querem e não querem para si.

Em O que Acontece Quando um Homem Cai do Céu, de Lesley Nneka Arimah, acompanhamos o livro com as histórias mais variadas em seus temas. A autora é britânica, criada na Nigéria e hoje mora nos EUA. É uma nerd declarada. E suas histórias refletem isso. Há de tudo um pouco, o fantástico, ficção cientifica, fábula, terror. Há também contos realistas. O que chamou tanto a atenção para esse livro largamente premiado é a sensibilidade de Arimah em conectar invenção e realidade de maneira tão intensa, profunda e sábia em poucas páginas. A visão geral é de desencanto. As personagens são mulheres ora sofridas, ora opressoras. Por isso, aqui não há lugar para ingenuidade. Outro aspecto interessante é ver como essas meninas e mulheres negras têm uma vida interior vibrante, provocando nelas todo tipo de sentimentos. A edição da editora Kapulana é bem cuidada. Não há muitos erros de revisão. Mas, às vezes, o espaçamento entre as palavras atrapalha a leitura. E a capa podia ser mais bonita. O que Acontece Quando um Homem Cai do Céu traz uma vigorosa perspectiva de pessoas que dificilmente são vistas em sua plenitude.

Já a autora argentina Mariana Enriquez apresenta ao leitor brasileiro um dos livros de ficção mais impactantes da última década. O seu As Coisas que Perdemos no Fogo investe no terror de forma visceral. É assustador porque a autora transforma os horrores do cotidiano da classe média e da periferia de Buenos Aires e da história recente da Argentina numa literatura claustrofóbica de primeira, ampliando significados e efeitos do comportamento humano e de mazelas sociais e políticas. Aqui também o foco são meninas e mulheres. Desta vez, as protagonistas estão mais à vontade na posição de gente branca com algum dinheiro, mesmo que meio decadente. Mas Enriquez nunca é leviana. Aliás, é por meio de sua extrema consciência que ela aperta os botões certos para nos apavorar. Estas protagonistas geralmente se colocam em situações perturbadoras, testemunhas do que há de pior na sociedade. Em ritmo de suspense, cada conto nos envolve e desestabiliza, à medida que avançamos em atmosferas pesadas, com lugares sujos, escuros e abandonados, habitados por personagens trágicos. A edição impecável da editora Intrínseca não nos distrai, não nos deixa sair desse mundo. Leitura para estômagos fortes.

O Corpo Dela e Outras Farras, da cubano-americana Carmen Maria Machado, conseguiu a proeza de ser finalista do National Book Award, o segundo prêmio literário mais importante dos EUA, depois do Pulitzer. É uma enorme conquista para um livro tão influenciado pelo fantástico e pelo terror. Não podia deixar de ser, mulheres são as protagonistas, geralmente lésbicas. Seus contos são alegorias poderosas a respeito de vários aspectos da vida da mulher contemporânea, principalmente, sobre agressões físicas, psicológicas e simbólicas, como a violência doméstica, o estupro, os papéis femininos na sociedade, a frustração sexual, a ditadura da beleza, a aceitação do corpo. Infelizmente, no geral, foi o livro de que menos gostei dos quatro, por sua irregularidade. Pela variação entre contos excelentes e cansativos, longos além da conta. Mas isso não significa que você deva ignorar a obra. Ela vale muito a pena por seus melhores momentos. E para completar, a edição da editora Planeta do Brasil é a mais bonita de todas, com uma lindíssima capa dura e um projeto gráfico ao mesmo tempo elegante e sombrio.

No caso da gaúcha Natália Borges Polesso, acompanhamos algo muito interessante. Amora é um livro de contos com tema único, relações lésbicas, mas com várias abordagens. O mais bacana é que os contos trazem uma consciência feminista muito presente, mas não há nada de panfletário. As personagens se comportam de maneira complexa, não se limitando a ser uma coisa só, uma metáfora, uma condição. O desenvolvimento realista de cada narradora ou personagem central convence o leitor que se trata de gente de carne e osso, com todas as suas potencialidades e contradições. Tem conto que você dá altas gargalhadas pelo humor sacana e tem conto que é emocionante pra burro pela força do afeto. Natália é a autora que mais experimenta em conteúdo e forma, sendo que algumas histórias são verdadeiros poemas em prosa. A edição da Não Editora é caprichada, em capa dura, muito gostosa de ter em mãos e com uma diagramação que facilita a leitura. O livro ganhou o prêmio Jabuti com todos os méritos. É um marco da literatura nacional.

Esses quatro livros são exemplos do que há de novo na literatura contemporânea. São visões de mundo que não pedem licença para existir. Trazem autoras que aliam o apuro narrativo com ideias arrojadas, colocando o tão relegado conto no centro da cena literária.

O que Acontece Quando um Homem Cai do Céu, de Lesley Nneka Arimah, 168 págs., Kapulana.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE.

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As Coisas que Perdemos no Fogo, de Mariana Enriquez, 192 págs., Intrínseca.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE.

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O Corpo Dela e Outras Farras, de Carmen Maria Machado, 240 págs., Planeta do Brasil, selo Minotauro.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE.

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Amora, de Natália Borges Polesso, 256 págs., Não Editora.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE.

CRIANÇAS LOBO PARA AMAR

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Wolf Children é um slice of life com um discreto toque de fantasia. Conta a história de uma mãe humana que tem de criar dois filhos lobisomens no Japão contemporâneo. Longe de ser um filme de terror, o anime dá medo por ser muito humano. Na verdade, assim como a vida, há de tudo um pouco: drama, comédia, tensão, tragédia e esperança.

O diretor e co-roteirista Mamoru Hosoda é um dos grandes mestres da animação japonesa. Sem dúvida, muito influenciado por Hayao Miyazaki, tanto na fluidez da animação quanto no desenvolvimento dos personagens. A luta de Hana, a mãe, para criar os dois filhos é cativante e bastante realista. Ela tenta cuidar da saúde, da alimentação e da educação deles, ao mesmo tempo em que precisa protegê-los de um mundo que pode machucá-los, física e psicologicamente.

Acompanhamos o crescimento da mais velha Yuki e do caçula Ame com curiosidade, encanto e apreensão. Afinal, os dois passam pelos mesmos problemas de outras crianças e adolescentes em sociedade, mas com um elemento a mais que torna suas vidas mais difíceis. Não por culpa deles, mas dos outros que não os compreendem. Há também momentos de extrema beleza e emoção, quando as crianças aproveitam todo o potencial de liberdade por serem lobisomens, num inspirador contato com a natureza.

Wolf Children é para todas as idades, mas, com certeza, são os adultos que vão melhor captar seus significados. Fala-se principalmente sobre identidade, pertencimento, sobre encontrar um lugar no mundo. Disponível na Netflix.

Wolf Children (2012), de Mamoru Hosoda, 117 min., Studio Chizu e Madhouse.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO, EXCELENTE