MEU LIVRO DE VIAGENS

42418648_334983260603750_2910902982373539840_n

Dez anos depois, vai sair a 2ª edição do meu livro de viagens pelo interior da Bahia, em formato de e-book. Lançamento em outubro.

Anúncios

MEU BLOG NO GOODREADS

Agora você pode acompanhar a categoria Diário de Escrita pelo meu blog no Goodreads. É só clicar na imagem.

Sem título

ESTOU NO PACOTÃO LITERÁRIO

capa-fim-do-medo-definitiva

O Pacotão Literário é um projeto que procura dar visibilidade a autores nacionais independentes de forma prática com valores a partir de R$1,00. Você decide quanto vai pagar. As obras foram avaliadas por uma curadoria e estão disponibilizadas em vários formatos, inclusive em versão física.

A edição #4: Aventuras do Brasil reúne um time de autores de várias partes do país.

pacotao4

Participo com o e-book O Fim do Medo. São contos de terror, mistério e suspense. Nos três contos desta coletânea, os protagonistas testam os limites da sanidade. Em A Decisão, um executivo tem seu cotidiano invadido por uma ameaça aterradora. O jovem de Uma Noite Qualquer é atormentado por uma emergência na velha pensão onde trabalha. Em Óculos Escuros, um homem vai à praia para relaxar, mas se depara com um trauma do passado. Esta é uma Salvador que não está nos cartões postais.

A Decisão foi originalmente publicado na antologia The King vol.II (Multifoco, 2013), em homenagem a Stephen King. Na época, para mim, foi algo muito importante. O conto foi selecionado por seus próprios méritos. Não paguei para publicar nem conhecia os organizadores. E também foi meu primeiro conto publicado em papel, em livro. Foi uma espécie de recomeço, quando decidi levar essa loucura de escrever ficção bem mais a sério. Para a nova coletânea, reescrevi o conto, mudando um pouco sua estrutura, deixando-o mais enxuto e dinâmico. Foi bacana revisitar esta história e constatar que estou evoluindo como escritor.

the-king-imagem

Uma Noite Qualquer foi publicado no meu blog para o Halloween de 2015. Em 2016, foi enviado para o canal/site Homo Literatus. O editor Vilto Reis criou a série Pitacos, na qual o público manda contos para seleção e análise. Meu conto participou do segundo episódio. Fiquei muito gratificado pela, ao mesmo tempo, implacável e generosa avaliação (assista ao vídeo). Vilto soube criticar com propriedade. Apontou problemas e reconheceu qualidades. Ele sugeriu que eu reescrevesse o conto. Foi o que fiz. O resultado está em O Fim do Medo.

os-inocentes-1961-1

Os Inocentes, de Jack Clayton, adaptação para o cinema de A Volta do Parafuso

Óculos Escuros é um conto inédito. É minha tentativa de homenagear uma obra que admiro bastante. Na novela gótica A Volta do Parafuso, de Henry James, uma preceptora vai para o interior da Inglaterra do séc.19 cuidar de um casal de irmãos. A chegada da jovem causa tensão entre patrões e empregados. Ela acredita que as crianças estão em perigo pela presença de fantasmas. A narrativa nunca deixa claro se o horror sobrenatural existe ou tudo é invenção da mente da preceptora. Tentei um efeito semelhante no meu conto. Que também fala sobre o mesmo tema da infância ameaçada. Também com uma narração ambígua.

A coletânea O Fim do Medo é um e-book exclusivo do Pacotão Literário. Você não vai achar esses contos em nenhum outro lugar.

sem-titulo

CONTO MEU NA SOMNIUM

somnium112-capa

A Somnium é a revista de ficção científica mais tradicional do país. Publicada on line pelo Clube de Leitores de Ficção Científica (CLFC), traz resenhas, notícias, artigos, relatos. Em cada número, são propostos temas para submissão de contos. Nomes de peso da FC nacional e da portuguesa já publicaram na revista. Saiu a lista dos autores selecionados para a edição n°113, cujos temas foram TRANS-HUMANISMO e WEIRD, e que será lançada em breve. Meu conto Aynin Candé, uma mistura cyberpunk, afrofuturismo e new weird, foi um dos escolhidos!! É uma honra estar ao lado de mestres como Carlos Orsi, Gerson Lodi-Ribeiro e Luiz Bras.

Sesstelo, de Carlos Orsi

Eutanásia, de David Machado

Quarteirão, de Fabio Barreto

Pantagruelicídio, de Frederico De Oliveira Toscano

Moça da Mão Perfeita, de Gerson Lodi-Ribeiro

Um Último Dia Perfeito, de Gilson Luis da Cunha

Loja de Peças, de Graham Brand (traduzido por Santiago Santos)

Utopia Pandemia, de Luiz Bras

Madeleines & Micro-ondas, de Paulo Elache

Aynin Candé, de Ricardo Santos

De trilhos enferrujados e cachorros mancos, de Santiago Santos

AUTOCRÍTICA DE UM ROMANCE

11294455_10153915497143102_708838674_o

Alguma vez, alguém já analisou o próprio conto, novela ou romance depois de escrito, de publicado? Fazendo a comparação do que foi planejado com o resultado final? Abaixo segue minha avaliação, em tópicos, do meu primeiro romance Um Jardim de Maravilhas e Pesadelos, publicado em 2015.

É aquela coisa: você só aprende fazendo. Claro que o estudo é fundamental para aprimorar qualquer escrita. Enquanto eu (r)escrevia esse livro, aprendi muito, na prática, sobre uma série de tópicos, como furos de roteiro, ritmo, construção de cena e desenvolvimento de personagens. Aprendi o que não deve ser feito, principalmente, evitar clichês e preconceitos implícitos ou explícitos.

Godard disse uma frase de que gosto bastante: “Os problemas de um filme sempre podem ser corrigidos no filme seguinte”. Acho que isso é válido também na literatura. Evidente que ninguém nunca quer errar. Mas a verdade é que erramos mais do que acertamos. É a vida. Mas querer acertar é o segredo.

Autocrítica do romance Um Jardim de Maravilhas e Pesadelos:

– Herói mais reativo do que ativo (ponto negativo);

– heroína mais reativa do que ativa (ponto negativo);

– conflito entre heróis (ponto positivo);

– heróis falhos (ponto positivo);

– vilão complexo, ativo (ponto positivo);

– worldbuilding em função da trama, procurando evitar o infodump (ponto positivo);

– uso de macguffin (alguns podem considerar como bem utilizado, outros como algo que precisaria de maiores explicações);

– uso da arma de chehkov (satisfatoriamente utilizada, evitou o deus ex machina no clímax);

– estrutura em três atos (está bem disfarçadinho, mas existe);

– uso de reviravoltas e ganchos (utilizados de maneira orgânica, surpreendendo o leitor, mas sem enganá-lo);

– sem jornada do herói (existe uma série de passos que determinam se o protagonista percorreu a jornada como estrutura narrativa. No filme Matrix, Neo faz essa jornada de maneira clássica, seguindo cada um desses passos. Certos autores usam apenas alguns aspectos da jornada. No meu caso, a evitei completamente por achar que não se adequaria à história que eu queria contar, e também por considerá-la batida. Isso foi a coisa mais consciente que fiz ao escrever o livro. O problema de muitos autores é que eles tentam adequar sua história à jornada do herói e não o contrário).

EM BREVE

14269871_666555533500964_1081299274_n

Nos próximos dias, será lançado na Amazon um conto de fantasia heroica, de espada e feitiçaria ou sword and soul, como queiram. Quenai dul Muni é uma guerreira solitária num mundo povoado por magos, feiticeiras, reis, imperatrizes, máquinas e seres fantásticos. Tendo em mãos sua espada mágica Grito da Lua, ela enfrenta ameaças humanas e sobrenaturais. Esta é a primeira aventura de uma série que pretende ser, ao mesmo tempo, uma homenagem e uma crítica ao subgênero, inspirada em mestras e mestres como Robert E. Howard, Tanith Lee, Michael Moorcock, Charles R. Saunders e C.L. Moore.

Leiam o início do conto: 

Podia ser a fome. O frio. Os primeiros raios de sol. A chuva. A vontade de urinar. Geralmente, uma perturbação dessas isolada, ou uma combinação de duas, três ou todas juntas. Mas também podia ser uma perturbação mais ameaçadora, fatal. Uma sorrateira cobra-colar, que se aproximaria enquanto estivesse deitada a céu aberto, e se envolveria em seu pescoço, tão ágil quanto o saque de uma espada, para sufocá-la com a pressão do corpo delgado e as escamas abertas, pontudas, venenosas. Ou um bando de hienas-amarelas, que aguardariam com paciência até que pegasse no mais profundo dos sonos, então avançariam, entre as muitas pedras que cobriam a planície de Jara, para atacar, despedaçá-la e devorar sua carne.

Porém, havia uma perturbação ainda mais fatal. De outra natureza, ao mesmo tempo, tão próxima e tão distante de Quenai.

Nessa hora, Grito da Lua não poderia ajudar, além de oferecer a lâmina eternamente afiada. Quenai teria de sobreviver sozinha.

Ela ouviu algo. Abriu os olhos. Sentia fome, um pouco de sede. Ao ar livre, nunca dormia completamente saciada, satisfeita. O vazio no estômago não permitia que adormecesse de verdade, que sonhasse. O descanso era uma imitação de sono. Precisava estar pronta para qualquer ameaça.

Ficou alerta, mas não se mexeu. Continuou deitada de lado, sobre a manta espessa de algodão, coberta por sua pele de cabra. A manhã ainda estava fria e cinzenta.

Apertou os dentes e os lábios grossos. Começar o dia dessa maneira, agitado, a deixava possessa.

Ao redor, a vegetação era baixa, misturando tons verdes, amarelos e marrons, com poucas árvores finas. O que tornava aquele lugar único eram as formações de pedras escuras de vários tamanhos, espalhadas em todo o campo aberto. Pareciam jarros enormes. Diziam as lendas que, milênios antes, o extinto povo jara dominava aquelas terras. E que as formações de pedra eram crematórios, onde os mortos se tornavam pó, em rituais fúnebres em louvor ao deus Cra, o Lanceiro da Morte.

Quenai podia ver com nitidez, na altura do chão, mas ainda assim sua visão estava limitada. No início da noite anterior, ela sabia que tinha de parar a viagem. Aliás, viagem que nem devia ter começado. Já era tarde quando partira. Onde estava com a cabeça para se meter numa situação de perigo tão evitável? A falta de dinheiro era a resposta óbvia. Contudo, a melancolia que a dominou, em seus últimos dias numa cidade grande, com certeza, tinha contribuído para afetar-lhe o raciocínio. Não era nada inteligente ficar vagando por aquela planície, à noite. Então ela procurou um local estratégico para descansar sua espada, comer um pouco e dormir. Queria se proteger das ameaças potenciais. Tinha de fazer escolhas. Preferiu repousar num trecho onde os jarros estavam mais distantes uns dos outros. Isso evitaria uma aproximação surpresa de hienas-amarelas. Num trecho onde os jarros estivessem mais próximos, Quenai melhor camuflada aos olhos de viajantes, as feras de pelos longos e eriçados nas costas podiam, pelo alto das pedras, cair sobre seu corpo. Em campo aberto, era mais fácil percebê-las. Para afugentá-las, usaria um apito de madeira com partes móveis. A peça gerava sons desagradáveis para vários tipos de animais e imitações do urro de predadores. Caso as feras insistissem em cercá-la, ela faria fogo e um círculo de chamas à sua volta. E em último caso, o enfretamento. Mas, nas poucas vezes que estivera ali, à noite, o apito bastou. Contra o avanço de cobras-colar, contava apenas com a agilidade de sua adaga. Em relação à gente, a coisa era mais imprevisível.

Com os ouvidos atentos e o nariz apurado, Quenai percebeu uma inquietação no ar e nenhum fedor. Entre grilos-de-veludo próximos e corvos-azuis ao longe, não havia a presença de cavalos nem de cães ou lobos de caça. Isso foi bem fácil de deduzir. Mais difícil foi estabelecer a posição de quem a espreitava.

Não era um estranho solitário. Havia mais alguém. Quantos seriam ao todo, três, quatro desgraçados?

Por que não lançaram uma flecha, uma machadinha ou uma adaga, perfurando a pele de cabra, atingindo-lhe a perna ou o torso? Estariam apenas esperando a reação dela? Ou não teriam tais armas, guardando as espadas para o ataque a curta distância? Ou queriam preservá-la para o estupro, a servidão, para ser vendida como escrava nas cidades da Costa de Marfus? Ou eram apenas burros, incompetentes, covardes?

Essa incerteza deixava Quenai inquieta. Mas ela não podia se mexer. Ainda não.

Estava pronta para a luta. Completamente vestida, botas calçadas. O cinturão com bolsos firme. A adaga de lâmina curva dentro da bainha de couro liso, à disposição, no quadril direito. E Grito da Lua estava bem à sua frente, deitada com ela, guardada em sua bainha de couro trabalhado.

O silêncio da espada era a certeza de que se tratava de uma ameaça humana. Se a ameaça fosse além de sua compreensão, mística de alguma forma, Grito da Lua se manifestaria.

Agora Quenai contava apenas com suas habilidades de combate. Mas fazia quase duas semanas que não lutava com ninguém. Nem mesmo para treinamento. O serviço de escolta da filha de um comerciante da cidade de Carná, uma noiva prometida a outro comerciante da cidade vizinha de Arbaque, não fora exigente. E o bom pagamento a deixou um tanto mole, com muita comida para estufar a barriga, muitas horas de sono numa cama aconchegante de estalagem, e sexo com um ou outro habitante daquela região do Império de Boro ou algum forasteiro, que aceitaram seus convites para beber; e ela sempre tomando uma dose de poção seca para não engravidar. Quando o dinheiro acabou, quando o ânimo acabou, achou melhor voltar para a estrada.

Não tinha nenhuma esperança de que aqueles à sua espera não passassem de viajantes perdidos, desorientados, talvez feridos ou bêbados. Gente assim não costumava se aproximar, na surdina, de estranhos dormindo ao ar livre. Iriam para o lado oposto, para longe, ou gritariam por ajuda. Ao contrário de bandidos, arruaceiros, soldados, guerreiros e mercenários, laia pior do que qualquer bando de hienas-amarelas estudando sua presa.

“Ei, você! Não temos o dia todo!”, disse uma voz de mulher, em bor, a língua comum.

PITACOS INCRÍVEIS

maxresdefault

O site Homo Literatus está com um projeto muito bacana: o Pitacos, em que o editor Vilto Reis faz a análise de contos enviados pelo público. Para minha felicidade, meu conto “Uma noite qualquer” foi escolhido.

De fato, é a voz de um editor falando. Vilto diz com total honestidade, com conhecimento de causa, o que há de problemático no conto. Ao mesmo tempo, pontua suas qualidades. Ou seja, critica sem deixar o autor pra baixo. Na verdade, me estimulou a reescrever a história, a melhorar como escritor.

Pode-se ler o conto completo em PDF na descrição do canal do Homo Literatus no Youtube, ou on line aqui mesmo no blog.

CONCEPÇÃO, CONTO EM PROGRESSO

Humano_Mente_humana

Concepção é um conto de ficção científica de pouco mais de 4 mil palavras. É sobre um casal que terá um wonder, um criança superdotada, em um nível nunca antes testemunhado pela humanidade. É um tema batido, quase desisti de terminar a história, mas acho que encontrei uma maneira de torná-la interessante. A narrativa já está solucionada, desenvolvimento de trama e de personagens. Agora estou cuidando da parte científica, pesquisando e perguntando a pessoas de determinadas áreas. Quero especular, inventar, a partir do que se já conhece sobre tópicos como desenvolvimento do cérebro, bioinformática, hackativismo e outros.

Leiam um trecho do conto:

Sua mãe deu um grito.
Fui correndo socorrê-la.
Ela tinha batido o joelho na porta da suíte.
Levei-a de volta para a cama e me deitei também. Enfiei minha mão por dentro de sua blusa. Comecei a acariciar a barriga já saliente.
“Quando é que a gente vai contar às pessoas, aos meus pais, aos seus?”, perguntou sua mãe, num tom manso, quase inaudível.
Respirei fundo.
“Acho que a gente não deve dizer nada por enquanto.”
“Não contar a ninguém?”, ela elevou um pouco a voz.
“Isso.”
“Até quando?”
“Não sei.”
Ficamos em silêncio por algum tempo.
Então eu perguntei:
“E como você está, de verdade?”
“Com medo…”
Resolvemos sair de casa. Sua mãe queria muito isso. Ela queria se distrair, talvez até dar algumas risadas. Principalmente, ela queria deixar o resto da conversa para depois.
Enquanto nos arrumávamos, eu a vi trocar de roupa, pentear o cabelo, passar uma maquiagem leve. Tentei me colocar no lugar dela. Ela achava que existia o que dentro de sua barriga? Uma bênção além de suas forças? Um projeto de monstro?
Desculpe se falo nestes termos, mas quero ser o mais sincero possível. Acho que você seria o primeiro a entender.

MEU CONTO NO MAPA DA PALAVRA

mapa-da-palavra-site

Saiu o resultado do projeto Mapa da Palavra, da Secretaria de Cultura da Bahia, que pretende avaliar a atividade de autores no Estado inteiro e fazer diagnósticos com as informações levantadas. Cada autor participante preencheu um cadastro detalhado de sua carreira e obra. Além de enviar textos para seleção em duas etapas. Na 1ª etapa, foram escolhidos textos (conto, poesia, crônica, cordel, inclusive livros na íntegra) que ficarão disponíveis no portal virtual do projeto. Na 2ª etapa, foi feita uma escolha mais enxuta para produção de quatro publicações impressas e/ou digitais. Foram 275 inscrições, em 27 territórios baianos. Meu conto Videoclipe foi selecionado na 1ª etapa! Legal saber que minha história, que mistura ficção científica e o fantástico, num tom meio surrealista, foi aprovada por um banca da academia e do poder público. Teve professora da UFBA, que estuda hip hop e temáticas raciais. Teve professor e cordelista. E teve editor da Editora 34. O portal virtual e a primeira publicação irão sair até outubro de 2016. Para mais detalhes, clique na imagem. 

ESTRANHA BAHIA EM CORES

Estranha BAHIA é uma antologia de contos de terror, fantasia e ficção científica, na qual participo como organizador e autor. Entregamos aos autores e apoiadores de nossa campanha no Kickante as versões em e-book e PDF, na 1ª etapa das recompensas. Rochett Tavares foi o responsável pelo projeto gráfico. Esta é uma amostra do PDF colorido:

12345678910111213