PANTERA NEGRA: IMPERFEITO E SUBLIME

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O hype é real! O aguardadíssimo filme do Pantera Negra chegou para abalar as estruturas. Não é um filme perfeito. Mas é algo que você nunca viu antes.

O diretor e roteirista Ryan Coogler se firmou como um dos mais interessantes cineastas dos últimos tempos com seus dois filmes anteriores, o poderoso drama Fruitvale Station e Creed, a incrível reinvenção da franquia Rocky, com Stallone.

O grande talento de Coogler é criar personagens tridimensionais, escolhendo os atores certos para interpretá-los, acertando em cheio em suas motivações e entregando-lhes falas inteligentes, seja para o drama ou o humor.

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O que fica evidente em Pantera Negra é que Coogler ainda está aprendendo a lidar com uma grande produção. Seus dois filmes anteriores eram bem menores. Por isso, ele tinha maior controle sobre a narrativa deles. Sem dúvida, são filmes mais coesos. Creed mostra mais arrojo, com momentos em que o trio fotografia-montagem-trilha sonora entrega cenas muito elegantes e cheias de energia.

Em Pantera Negra, Coogler tenta se encontrar, fazer, na medida do possível, algo com a marca dele, tanto nos detalhes (oi, Oakland!) quanto nas grandes decisões (worldbuilding, conotação política, ligação com o MCU). Para um filme que é parte de uma linha de montagem, podemos dizer que ele se saiu muito bem.

Pantera Negra consegue se sustentar como entretenimento, indo além. Agora ele faz parte do seleto clube de filmes populares e relevantes, como Soldado Invernal e Mad Max, Estrada da Fúria. E, como todo blockbuster, Pantera Negra tem suas falhas.

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Fruivale Station e Creed são filmes muito físicos, com uma pegada realista. Uma fantasia tão colorida e ambiciosa como Pantera Negra exigiu bastante do uso de CGI. E nem sempre a coisa dá certo, principalmente, em cenas em que o herói é mais exigido, em suas acrobacias e golpes espetaculares. Também houve problemas nas coreografias das lutas como um todo. A comparação com Soldado Invernal é inevitável. E Pantera Negra sai perdendo. Mesmo que algumas cenas de ação sejam alguns dos melhores momentos do filme. Além disso, conhecemos pouco do cotidiano, das ruas e do povo de Wakanda.

Como todo roteiro de uma grande produção, há furos e equívocos. O maior deles foi não dar ao vilão principal, Killmonger, ainda mais espaço. Ele aparece e some na primeira metade do filme. Para voltar com tudo e desestabilizar as certezas do herói. Mas o roteiro também tem suas qualidades. E que qualidades! Desenvolve muito bem os personagens, tem um humor inteligente e pontual, e reviravoltas corajosas para um filme pipoca. Alguns personagens ficam sem chão, assim como o espectador.

 

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E que elenco! Que personagens! A combinação perfeita entre talento e avatar. Os personagens masculinos são homens negros que fogem dos estereótipos em que a sociedade geralmente os enquadra. São líderes, pessoas inteligentes, cultas, preparadas. E também complexas, tridimensionais, contraditórias. Mas meu destaque mesmo vai para a representação feminina. A mulher negra sempre foi colocada de escanteio em filmes de ação e aventura, porque a mulher negra sofre um duplo preconceito. Em Pantera Negra, vemos que elas podem ser até mais interessantes como personagens de ação do que os homens. E não é só isso. Há uma variedade de personalidades que mostra o potencial dessas mulheres. Há a badass general Okoye com sua lança de vibranium, a divertida cientista Shuri, a determinada espiã Nakia e muitas outras.

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Killmonger se firma como um dos melhores vilões do MCU, talvez o melhor, por suas motivações serem tão convincentes. Michael B. Jordan o interpreta com uma presença física ameaçadora e falas desconcertantes. Ele é um vilão trágico.

Não podemos esquecer o impagável Klaw de Andy Serkis. É um delicioso vilão cartunesco.

A trilha sonora é empolgante, misturando rap, hip-hop, rock, ritmos africanos, música sinfônica e sintetizadores. O design de produção mostra cenários, figurinos e objetos incomuns para um filme de super-herói. O afrofuturismo se torna mainstream.

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O teor político é bem trabalhado. A denúncia contra o racismo histórico é passada muito mais pela interação entre os personagens, dentro da narrativa, e não com tanta exposição ou monólogos. A Marvel está de parabéns. Mesmo seguindo a fórmula Marvel, Ryan Coogler teve liberdade criativa e de expressão. Agora o estúdio está colhendo os frutos, pela repercussão do filme e pela perspectiva de uma bilheteria avassaladora.

Para uns, Pantera Negra é diversão garantida. Para outros, um sonho que se torna realidade.

Pantera Negra (Black Panther, 2018), de Ryan Coogler, 134 min., Marvel Studios.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE.

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