ESTRANHA BAHIA FINALISTA DO ARGOS 2017

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Foram anunciados os finalistas do PRÊMIO ARGOS 2017. E a ESTRANHA BAHIA, da qual participei como organizador e autor, foi indicada como melhor antologia ou coletânea!!!!!!!!!!!!

Nossa equipe e os autores da ESTRANHA BAHIA estamos muito felizes de ver nosso trabalho de formiguinha reconhecido. E o que valoriza ainda mais nossa indicação é a qualidade dos outros finalistas. Só tem nome fera!

Parabéns a todos os indicados (teve gente que votei que está na lista). Parabéns ao CLFC pela iniciativa e por ser um espaço agregador no fandom. E parabéns à Comissão do Argos 2017 por ter domado o touro pelos chifres (quem conheceu os bastidores da premiação sabe a trabalhadeira que deu).

Estarei presente na cerimônia de premiação, no dia 16 de dezembro, no Rio de Janeiro. Ganhar é bom, mas, sinceramente, essa indicação já foi uma vitória. O mais importante será fazer parte dessa festa!

PRÊMIO ARGOS 2017 – FINALISTAS

ROMANCES:

-A Bandeira do Elefante e da Arara, de Christopher Kastensmidt, Editora Devir
-O Caminho do Louco, de Alex Mandarino, Editora Avec
-O Esplendor, de Alexey Dodsworth, Editora Draco
-A Fonte Âmbar, de Ana Lúcia Merege, Editora Draco
-O Ultimo Refugio, de João Beraldo, Editora Draco

ANTOLOGIAS/COLETÂNEAS:

-Crônicas da Guerra dos Muitos Mundos – Volume 1, organizada por Rita Maria Felix da Silva, auto-publicação
-Dinossauros, organizada por Gerson Lodi-Ribeiro, Editora Draco
-Estranha Bahia, organizada por Alec Silva, Ricardo Santos e Rochett Tavares, Editora EX! (auto-publicação)
-Medieval : Contos de uma Era Fantástica, organizada por Ana Lucia Merege e Eduardo Kasse, Editora Draco
-Misterios do Mal: Contos de Horror, de Carlos Orsi, Editora Draco

CONTOS:

-Amor, Uma Arqueologia, de Fabio Fernandes, na antologia/coletânea Trasgo 11, auto-publicação
-Auto-Retrato de Uma Natureza Morta, de Octavio Aragão, na antologia/coletânea Crônica da Guerra dos Muitos Mundos – Volume 1, auto-publicação
-O Domo, o Roubo e a Guia, de Roberta Spindler, na antologia/coletânea Dinossauros, Editora Draco
-O Grande Livro do Fogo, de Ana Lúcia Merege, na antologia/coletânea Medieval : Contos de uma Era Fantástica, Editora Draco
-A Novica Escarlate, de Luiz Felipe Vasques, na antologia/coletânea Crônica da Guerra dos Muitos Mundos – Volume 1, auto-publicação

O vencedor de cada categoria será anunciado na cerimônia do ARGOS, dia 16 de dezembro, na UVA (Universidade Veiga de Almeida, campus Tijuca, no Rio de Janeiro, às 16:00).

Para cada primeiro lugar, além do tradicional troféu do ARGOS com o nome da obra e do autor gravados, haverá um prêmio em dinheiro de R$500 (quinhentos reais).
E os três primeiros colocados de cada categoria receberão um livro gentilmente oferecido pela Editora Arqueiro.

COMISSÃO DO ARGOS 2017

-Luiz Felipe Vasques – Presidente
-Jorge Pereira
-Eduardo Torres

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NERDICE BAIANA CRIANDO CORPO

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Há alguns meses, numa entrevista de rádio, afirmei três coisas: 1) O romance O Sorriso do Lagarto, de João Ubaldo Ribeiro, era a maior obra de ficção especulativa baiana, apesar de ser uma ficção-científica fraca para os iniciados; 2) Havia muita dificuldade dos autores baianos de ficção especulativa trocarem ideias e se encontrarem, era difícil achá-los; e 3) O maior nome da ficção especulativa baiana não era um autor, e sim um editor, o lendário e polêmico Gumercindo Rocha Dórea.

Agora, por meio da repercussão da coletânea Estranha Bahia, que ajudei a organizar, pela interação com o pessoal do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e com os escritores e amigos do fandom no Facebook, posso dizer que a coisa evoluiu e muito. Além dos autores da Estranha Bahia, descobri nomes que já estão por aí há algum tempo e se consolidando.

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Ainda não terminei de ler O Esplendor, de Alexey Dodsworth, mas já posso afirmar tranquilamente que é a maior obra da ficção especulativa baiana. Mesmo se passando em outro planeta, tem muita da Bahia ali. E é uma obra de ficção-científica com FC maiúsculos. Ainda temos o romance Araruama, de Ian Fraser. Outro cara que está ganhando cada vez mais espaço. E Hugo Canuto com seus quadrinhos de fama internacional. Todos baianos boca-de-zero-nove! Agora Gumercindo ainda continua como o maior. Afinal, o cara fundou a Geração GRD.

A nerdice baiana está criando corpo!!!

ESTRANHA BAHIA NO PRÊMIO ARGOS 2017

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O Prêmio Argos é o mais importante da ficção especulativa nacional. Ele é promovido pelo CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica). Seguem abaixo as regras para participar da edição deste ano, seja você leitor ou escritor de terror, fantasia e ficção científica. Publicado em 2016, o livro Estranha Bahia, no qual participei como organizador e autor, pode ser votado na CATEGORIA ANTOLOGIA/COLETÂNEA. Visite o site do CLFC. Leia a revista gratuita Somnium. Participe do grupo no Facebook. Filie-se. A votação já começou!
PRÊMIO ARGOS 2017 DO CLFC
MELHOR ROMANCE, MELHOR ANTOLOGIA/COLETÂNEA E MELHOR CONTO DO GÊNERO FANTÁSTICO EM PORTUGUÊS PUBLICADOS EM 2016
EM QUEM SE VOTA?
Obras do gênero fantástico publicadas pela primeira vez e originalmente em português no ano de 2016, no Brasil e países lusófonos. Estarão ANULADOS os votos no Harry Potter, George R. R. Martin, obras de 10 anos atrás e outras demonstrações de constrangimentos cognitivos. Portanto, certifiquem-se (ficha catalográfica no começo, ou procurem no google, site da editora, etc) do ano, ao votar.
QUEM VOTA?
Os sócios ativos do CLFC, isto é, os sócios do CLFC que estão registrados na lista oficial do CLFC no Yahoogroups. A votação será exclusivamente virtual através dos emails registrados na lista oficial do CLFC. Votos recebidos de outros emails serão ANULADOS em sua totalidade, mesmo que sejam de sócios do CLFC. Conforme estabelecido pela diretoria em 2009 quando o clube se tornou 100% virtual, sócios do CLFC que não sejam membros da lista oficial são considerados sócios inativos sem direito a voto no Argos e nas demais atividades virtuais do clube.
QUANDO SE VOTA?
De 08 a 26 de Novembro. A divulgação de três finalistas de cada categoria será ao longo da semana. O dia da premiação será 17 (domingo) de Dezembro, das 16h às 18h, no Planetário da Gávea, Rio de Janeiro (A CONFIRMAR O LOCAL).
COMO SE VOTA?
No email cadastrado na lista oficiall do CLFC vcs receberão um link para votarem. Portanto, VERIFIQUEM FILTRO DE SPAM, caixa de lixo, etc. Seguindo o link, vocês encontrarão uma cédula eletrônica. SIGAM AS INSTRUÇÕES nela também contidas. Há 3 categorias do Prêmio Argos 2017: Melhor Romance, Melhor Antologia/Coletânea, Melhor Conto. Vocês votarão até 2 vezes nas 3 categorias, para o favorito e o vice-favorito. A primeira escolha ganha 2 pontos, a segunda escolha ganha 1 pontos (para questões de desempate).Os votos serão digitados por vocês, por extenso, portanto certifiquem-se que os nomes de cada obra e autor estejam corretos. Em caso de imprecisão que impeça identificação clara o voto será anulado. Cada uma das 3 categorias terá 2 páginas no formulário, uma para cada escolha. Terminará com um feedback opcional de vcs, sendo 7 páginas no total. O segundo voto de cada categoria também é opcional. A cédula é montada no Google Forms, o que significa que é necessário acessar sua conta Google. Caso não tenham uma conta Google, não queiram ter ou se embananem com essas modernices, alternativamente vcs poderão mandar seus votos DIRETAMENTE para o email premioargos2017@gmail.com .(NÃO USEM A LISTA PARA MANDAR OS VOTOS!!!), no mesmo formato do formulário: até duas escolhas (por ordem de preferência) nas categorias oferecidas, o votante enviando o voto do seu email válido. Na cédula, haverá explicações sobre como votar. LEIAM.
E A APURAÇÃO?
A recepção e apuração dos votos será feita pela Comissão Organizadora, que também resolverá eventuais casos omissos. Não caberá recurso das decisões da Comissão Organizadora.
Qualquer dúvida sobre o processo, contactar o presidente da Comissão Argos 2017 Luiz Felipe Vasques no email premioargos2017@gmail.com
OBS: Para se filiar ao CLFC enviar email ao Presidente Clinton Davisson em fafia7@gmail.com com nome e endereço completos, telefone com DDD para contato e informando o email com o qual quer ser registrado no cadastro e na lista oficial. A filiação ao CLFC implica no compromisso de cumprir e fazer cumprir seu estatuto e envidar os melhores esforços pelo engrandecimento e fortalecimento do Gênero Fantástico no Brasil. O CLFC não cobra taxa de inscrição nem mensalidades. Não haverá prazo de carência para os novos sócios votarem para o Argos 2017.
Comissão Organizadora do Prêmio Argos 2017 do CLFC:
-Luiz Felipe Vasques (Presidente)
-Jorge Pereira
-Eduardo Torres

ESTRANHA BAHIA NO RÁDIO

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Participei, na Rádio Showtime, do programa O Marco de Hoje, comandado por Marco Antonio Santos Freitas. Falei um pouco sobre minhas origens como viciado em cultura pop, referências literárias, novos autores e a coletânea Estranha Bahia. Na primeira metade do programa, há uma deliciosa seleção de canções dos anos 50 a 80, que tinham tudo para fazer sucesso, mas não decolaram. Minha entrevista começa em 35:10. Para ouvir o programa é só clicar na imagem.

AULAS DE UM MESTRE REBELDE

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Luiz Bras é um provocador. Em seu manual de escrita, ele propõe o seguinte: não dê tanta bola para regras. Na verdade, ele propõe que a gente aprenda a construir para depois desconstruir. Seu discurso rebelde não é vazio. Bras mostra muito conhecimento de causa, muita leitura. O pulo do gato é o que ele faz com toda essa bagagem. Segundo ele, devemos ler muito, de tudo, para nos tornamos leitores mais completos, e, por tabela, escritores menos convencionais, avessos a preconceitos. O melhor leitor/escritor é aquele que não coloca hierarquias, por exemplo, em Thomas Pynchon e Stephen King, reconhecendo o valor de cada um. Seu Ateliê de Criação não segue a estrutura de outros manuais. É uma colagem de textos que cabe de tudo: propostas para uma oficina literária, com sugestões de leitura e exercícios práticos; reflexões teóricas na forma de poesia; artigos e crônicas sobre vários temas pertinentes da literatura. O livro está repleto daqueles insights sobre escrever que tanto adoramos nesse tipo de obra. Eu mesmo marquei várias passagens. É uma leitura curta, prazerosa e sábia.

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MEU CONTO NA TRASGO

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Acaba de sair a revista Trasgo n°15. Principal publicação de ficção científica e fantasia no Brasil, ela foi idealizada pelo editor Rodrigo van Kampen. Ele se inspirou em publicações estrangeiras que valorizam a produção de contos de novos autores e nomes consagrados. Por aqui, a iniciativa é ainda mais necessária pelo menor espaço que a literatura de gênero (policial, ficção científica, terror…) tem na mídia e no meio editorial.

Nesta edição, vocês podem ler meu conto de ficção científica Wonder. Num futuro próximo, um casal descobre que seu bebê em gestação será uma criança com superinteligência, muito acima dos atuais superdotados. Wonders são celebridades, gerando fascínio e medo nos adultos.

A Trasgo pode ser lida de graça, em vários formatos. É só clicar na capa.

5 LIVROS IMPORTANTES DA FC BRASILEIRA

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O mestre Luiz Bras/Nelson de Oliveira me convidou para participar da enquete sobre os 5 livros mais importantes da FC nacional, do blog Ficção Científica Brasileira. O bacana do blog é resgatar clássicos do gênero no Brasil e dar visibilidade a autores contemporâneos menos conhecidos do grande público. Vale muito a pena conferir as resenhas. Você também pode mandar suas resenhas e participar da enquete. Eis minha lista:

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1. A espinha dorsal da memória, de Braulio Tavares (1989)
[Primeiro livraço da FC nacional que li. Só então percebi que era possível fazer FC no Brasil. Merece uma reedição urgente.]

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2. Método prático da guerrilha, de Marcelo Ferroni (2010)
[O autor pode achar que não fez FC, mas pra mim é. Uma história alternativa da campanha de Che Guevara na Bolívia. Vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, categoria estreante, de 2011.]

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3. Encruzilhada, de Lúcio Manfredi (2015)
[O caçula da lista. Mas com porte de gente grande. Mistura impecável de FC, terror e o fantástico. Ler apenas uma vez é pouco.]

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4. Não verás país nenhum, de Ignácio de Loyolla Brandão (1981) [O autor é um dos grandes da literatura brasileira. Tem talento e ousadia para escrever romances que tiram o leitor da zona de conforto da estrutura muitas vezes certinha do realismo. Anda meio esquecido. Um absurdo.]

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5. Fábulas do tempo e da eternidade, de Cristina Lasaitis (2008) [São contos sábios, escritos com conhecimento de causa, afinal, a autora é/foi uma cientista. Esperando pelo próximo livro há alguns anos.]

A MONTAGEM PERFEITA DE MATRIX

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A transição de cenas é um dos aspectos mais importantes de um filme. É a mudança de uma cena para a próxima. Ela pode ser feita de várias maneiras. Exemplo 1 de transição: uma luta de boxe termina, o boxeador protagonista é derrotado CORTA PARA o boxeador se lamentando no chuveiro. Exemplo 2: um casal tem uma briga CORTA PARA uma praia CORTA PARA a mulher conversando com uma amiga. No caso de Matrix, as transições são brilhantes e essa é uma das razões do sucesso narrativo do filme. É uma história contada com paixão em cada detalhe, o que faltou nas sequências. As transições de Matrix mostram como edição de imagens, edição de som, diálogos, roteiro e storyboard podem fazer para cativar o espectador do começo ao fim. O vídeo do youtuber Patrick Willems explica como Matrix é um filme tecnicamente perfeito e o que isso contribuiu para que se tornasse um clássico.

DEADPOOL NA UNIVERSIDADE

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O escritor Clinton Davisson acabou de publicar um artigo do seu mestrado, Deadpool e A Quarta Parede – Uma Análise das Narrativas de Metalinguagem. Ele fala sobre o poder do cinema, especialmente o americano, no imaginário popular, e a influência que os filmes têm em nossas vidas, como fuga e retorno à realidade. Mostra como a sétima arte se transformou bastante nos últimos anos, apostando em novas formas de narrativa, interagindo com outras plataformas e dando ao público maior poder de decisão (na verdade, sendo forçada a isso), ao ponto de acabar com a reputação de um filme ou fazê-lo acontecer. E, recentemente, Deadpool se tornou a fusão mais bem sucedida de todos esses elementos. O artigo tem reflexões e insights bem interessantes sobre a relação cinema-linguagem-espectador. Pessoalmente, fiquei feliz em ver uma resenha minha sobre Deadpool entre as citações. O artigo é curtinho e pode ser baixado de graça. Vale muito a pena a leitura.

AS 6 MELHORES HQS QUE LI EM 2016

6)Black Panther –A Nation Under Our Feet vol.1, de Ta-Nehisi Coates, Brian Stelfreeze e Laura Martin, 144 págs., Marvel.

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Não é a primeira vez que a Marvel convida um outsider para assumir um título. Ta-Nehisi Coates é um dos mais aclamados jornalistas americanos, principalmente, por suas reflexões sobre a condição do negro nos EUA. A ideia de ele escrever a nova fase da revista do Pantera Negra é muito interessante e oportuna. E o que Coates propõe é algo bastante ambicioso. Ele questiona a própria razão de ser de T´Challa/Pantera Negra como rei e protetor de Wakanda. Coates coloca o povo em primeiro plano, com seus medos e expectativas, questionando por que devem se submeter a uma monarquia. Este primeiro volume é o prenúncio de uma guerra civil? Coates é um jornalista, não é um ficcionista. Isso fica evidente na maneira como ele conduz a trama. Mais por diálogos do que pela ação. Muitas vezes, as falas têm um tom shakespeariano, épico. Visualmente, tudo é muito lindo e vibrante. As ilustrações de Brian Stelfreeze com as cores de Laura Martin criam uma atmosfera única, numa mistura de tradição com alta tecnologia, que o leitor só vai encontrar em Wakanda. Estou muito curioso para acompanhar a evolução do Pantera Negra como herói e de Coates como roteirista.

5) Blame! vol.1, Tsutomi Nihei, 248 págs., JBC.

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Primeira obra de destaque de Nihei, Blame! foi lançado no Japão há quase vinte anos. O próprio autor considera embaraçoso um trabalho de sua juventude ser publicado agora no Brasil. Mas ele não tem nada do que se envergonhar. Blame! é um mangá de visual impactante e ideias robustas. Inspira-se no cyberpunk para criar uma estética, ao mesmo tempo, fascinante e bizarra. Os personagens falam o mínimo. Humanos, ciborgues, seres geneticamente modificados. Há uma disputa de todos contra todos num lugar inteiramente de metal, com muitos andares, túneis e salas, uma estrutura que parece infinita. Nihei usa sua formação como arquiteto para deslumbrar o leitor com cenários incrivelmente detalhados. Para completar, a trama nos prende por seus mistérios e sua crueldade. Neste mundo, o sentido da vida é algo que precisa ser reconquistado.

4)Batman – A Corte das Corujas vol.1, de Scott Snyder, Greg Capullo e Jonathan Glapion, 176 págs., Panini.

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Scott Snyder é um dos melhores roteiristas de quadrinhos da última década. Em A Corte das Corujas, ele revigora o universo de Batman, criando uma das melhores fases do protetor mais obcecado de Gotham. São roteiros mais adultos e cheios de pesquisa, dando um peso e uma verossimilhança que tornam o drama e a ação mais intensos. A composição das páginas, as soluções visuais, são muito bonitas, de grande impacto, chegando ao visceral. Trabalho magnífico do ilustrador Greg Capullo e do colorista Jonathan Glapion. Batman enfrenta adversários à altura, que testam sua sanidade e seu corpo ao extremo e o fazem questionar suas convicções.

3) Pílulas Azuis, de Frederik Peeters, 208 págs., Nemo.

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HQ autobiográfica em que o autor conta a história de sua relação com a esposa e o enteado soropositivos. O grande mérito aqui é desmistificar a AIDS, humanizando as pessoas atingidas pela doença. Vamos saber como a paranoia social e o preconceito podem ser quebrados com a informação sobre maneiras de contágio, tratamento e a saúde dos soropositivos. No geral, o tom da HQ é leve, o relato de um cotidiano quase normal, mas há os momentos de angústia, dúvida, tristeza e desespero. Outra característica importante é a autocrítica. A HQ usa a metalinguagem. Uma obra consciente de que é uma obra. O autor fala sobre o dilema de expor ou não sua vida, as pessoas que ama. Mas, por outro lado, a HQ não poderia ajudar muita gente a entender melhor a AIDS, a não surtarem no convívio com soropositivos, a dar aos próprios soropositivos uma oportunidade de dizer que são pessoas iguais às outras, que também querem tocar a vida?, pensa o autor. O traço cru das ilustrações, em preto e branco, funciona muito bem ao mostrar, com franqueza, o cotidiano diferente de uma família comum.

2)Nimona, de Noelle Stevenson, 272 págs., Intrínseca.

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Todo mundo devia ler Ninoma. As meninas para se inspirarem numa figura feminina que não aceita classificações de nenhuma forma. Os meninos para admirarem uma garota fora dos padrões que vai fazê-los repensar muita coisa sobre o universo das mulheres. Esta é uma graphic novel que não se leva a sério, na superfície, mas que possui um subtexto muito consciente e rico, sem pesar a mão. A mistura inusitada de fantasia medieval e ficção científica resulta numa paródia com cara de desenho animado, tipo Hora de Aventura. A ilustradora e roteirista Noelle Stevenson tem um timing de comédia afiado. Há muito nonsense tanto nos diálogos quanto nas tiradas visuais. O que começa como algo divertidíssimo vai ficando cada vez mais sombrio. É uma transição que funciona. É isso que faz toda a diferença, tornando Ninoma uma obra relevante. Diverte, emociona e faz pensar.

1)Tungstênio, de Marcello Quintanilha, 184 págs., Veneta.

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Esta graphic novel foi lançada em 2014, mas só este ano tive conhecimento dela pela notícia da premiação em Angoulême, o mais importante festival de quadrinhos da Europa. Aproveitei uma promoção na internet e comprei. Senhoras e senhores, que HQ sensacional! O roteiro complexo, mas de uma clareza impressionante, amplia a força do traço realista. Marcello Quintanilha conseguiu transformar histórias do cotidiano numa trama cheia de suspense e significados. Outro destaque é como o autor carioca soube captar tão bem a fala e o comportamento da gente de Salvador. Como soteropolitano, nascido e criado na cidade, posso dizer que ele fez direitinho o dever de casa. Monte Serrat, um dos lugares mais icônicos da capital baiana, torna-se palco central de um drama de tirar o fôlego, que começa com um fato corriqueiro e, aos poucos, vai se complicando. É um retrato além do noticiário, além do senso comum, de gente negra, suburbana, que tem de se virar, com suas angústias e frustrações. O olhar de Quintanilha não é clínico. Ele procura dar voz aos personagens, para que o leitor acompanhe os acontecimentos pelo ponto de vista deles. Depois de ler Tungstênio, dá vontade de procurar tudo o que esse cara já publicou.