DIRTY COMPUTER, UM ÁLBUM VISUAL

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Álbum visual. É assim como o novo trabalho de Janelle Monáe está sendo anunciado. Ao assistir Dirty Computer você vai entender o motivo. Nesse média-metragem de ficção científica musical de 48 minutos, Monáe mostra porque ela é uma artista de vanguarda na música, na moda e na atitude. Suas canções são políticas, mas sem perder o charme. Ela escancara como o black é beautiful, como a diversidade é cheia de energia e não deve nada a ninguém. E mais uma vez, ela reafirma sua paixão pela ficção científica. Dirty Computer é um álbum conceitual, com uma trama distópica que amarra tudo, dando mais relevância aos temas levantados por cada canção. Visionário.

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THE QUIET WORLD (POEMA FANTÁSTICO 1)

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The Quiet World

BY JEFFREY MCDANIEL

In an effort to get people to look
into each other’s eyes more,
and also to appease the mutes,
the government has decided
to allot each person exactly one hundred
and sixty-seven words, per day.

When the phone rings, I put it to my ear
without saying hello. In the restaurant
I point at chicken noodle soup.
I am adjusting well to the new way.

Late at night, I call my long distance lover,
proudly say I only used fifty-nine today.
I saved the rest for you.

When she doesn’t respond,
I know she’s used up all her words,
so I slowly whisper I love you
thirty-two and a third times.
After that, we just sit on the line
and listen to each other breathe.

O BOOM DO CONTO FANTÁSTICO NACIONAL

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No Brasil, não temos uma tradição de sites de contos de ficção científica, terror e fantasia, como em língua inglesa. Lightspeed, Clarckesworld, Apex e outros publicam atualmente o que há de melhor na produção mundial de ficção fantástica. Até brasileiros podem participar de suas submissões e ser selecionados. Isso já aconteceu com os escritores Fábio Fernandes e Jacques Barcia.

Sites semelhantes nacionais existem. Dois que merecem destaque são A Tarvena e Leitor Cabuloso. Mas o que chama cada vez mais atenção é o ótimo momento das revistas de contos e das coletâneas.

O conto é a porta de entrada do leitor para conhecer novos autores. É o cartão de visita do escritor iniciante. Ou um dos poucos espaços para o autor veterano menos convencional. Faz seu nome circular, abre portas para futuros projetos. Num mercado editorial profissionalíssimo e concorrido como o americano, geralmente, o conto é por onde tudo começa. Pelo menos, para autores de ficção fantástica.

Tento acompanhar as revistas e coletâneas mais interessantes. O fato de existir, há algum tempo, mais material de qualidade do que posso ler é uma mostra da evolução da produção nacional.

Entre coletâneas e revistas de contos gratuitas e à venda, em e-book e livro físico, o nível das histórias vai do regular ao excepcional. Vale muito a pena investir nesses autores novatos ou já com uma boa estrada percorrida. Você encontrará verdadeiros tesouros escondidos, que não devem nada ao que é produzido pelo mainstream e publicado pelas grandes editoras.

Abaixo você poderá conferir onde encontrar alguns dos melhores contos nacionais de ficção científica, terror e fantasia:

Somnium: É a revista de contos de ficção científica mais tradicional da literatura brasileira. É a publicação oficial do Clube de Leitores de Ficção Científica (CLFC), sediado no Rio de Janeiro. Nas décadas de 80 e 90, a Somnium chegou a sair em papel numa edição semi-profissional.  Já há alguns anos, ela sai apenas em formato digital. Além de contos, reúne artigos, resenhas e crônicas sobre temas científicos, acadêmicos e da cultura pop.

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Trasgo: Das publicações mais recentes, a revista Trasgo é uma espécie de pioneira. Ela surgiu para injetar ânimo nos novos autores, nesse problemático mercado de literatura fantástica nacional. Com um formato inédito no Brasil, a proposta do criador da Trasgo, o escritor e redator publicitário Rodrigo van Kampen, é dar um tratamento profissional aos contos publicados, com curadoria e pagando aos autores.

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A Taverna: Um dos sites mais populares do fandom. Há resenhas de livros, filmes, quadrinhos e séries de TV, dicas de escrita, dicas de como melhorar a leitura em inglês e contos! Até já publicaram a primeira coletânea deles, Manuscritos Herdados.

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Leitor Cabuloso: Outro site bastante conhecido entre os nerds. Praticamente um portal. Aqui há uma variedade maior de conteúdo, com destaque para o Cabulosocast/Perdidos na Estante, um podcast que faz abordagens críticas e aprofundadas de vários temas da cultura pop. E claro, eles publicam contos! Com direito a primeira coletânea, Realidades Cabulosas.

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Mafagafo: A mais nova revista a chegar no cenário fantástico nacional. Criada pela escritora Jana P. Bianchi, a proposta é publicar histórias de maior fôlego em partes, algo como um folhetim 2.0. Cada texto tem curadoria de um editor convidado e ilustrações.

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Mitografias: Site muito bacana sobre mitologias. Existe muito conteúdo sobre a relação entre as diferentes mitologias e a literatura. Destaque para o folclore brasileiro. Tem podcast, artigos, resenhas, oficinas e muito mais. A seção de contos não aceita submissões, mas anualmente é publicada uma coletânea.

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Universo desconstruído: Organizada pelas escritoras Aline Valek e Lady Sybylla, a proposta dessa coletânea é desafiar o status quo do fantástico nacional. Ficção científica, terror e fantasia não são coisas só de homem branco cis. Aqui a diversidade toma de assalto o fandom, na tentativa de transformá-lo em algo mais plural e conectado com o mundo lá fora.

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Crônicas da Guerra dos Muitos Mundos: A poeta, escritora e roteirista de quadrinhos Rita Maria Félix da Silva criou um multiverso colaborativo. Ela sempre convida outros autores, roteiristas e ilustradores para brincar com seus personagens. Meu romance juvenil Um Jardim de Maravilhas e Pesadelos faz parte desse multiverso. Em Crônicas…, são reunidos textos de alguns dos melhores nomes da ficção fantástica nacional. O único conto estrangeiro é do roteirista americano John Ostrander! Sim, Rita Maria conseguiu a participação dessa lenda dos quadrinhos.

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Editora Draco:  É a editora que mais aposta no autor nacional de FC, terror e fantasia. Suas coletâneas já se tornaram referências de apuro editorial e qualidade literária, revelando muitos nomes para nossos leitores.

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Editora Avec: O editor Arthur Vecchi brinca dizendo que publicar romances é um negócio arriscado, publicar livro de contos mais ainda e publicar coletâneas nem se fala… Mesmo assim, ele é um apaixonado pela literatura fantástica nacional. Por isso, vemos, no catálogo de sua editora, contistas de respeito.

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Editora Argonautas: Criada pelos escritores Cesar Alcázar e Duda Falcão, a ideia era abrir a editora para publicar os próprios livros de ambos e outros projetos que os interessassem. O fato é que a Argonautas lançou algumas das melhores coletâneas do fantástico nacional, com um cuidado editorial primoroso.

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Aquário Editorial: Editora encabeçada pela guerreira das letras fantásticas Ana Cristina Rodrigues.

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Llyr Editorial: Selo da editora Vermelho Marinho, dedicado à literatura fantástica nacional.

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EX! Editora: A partir de uma iniciativa do escritor e editor Alec Silva, foi criado esse coletivo de autores independentes. O objetivo é publicar os próprios livros do grupo e oferecer serviços editoriais.

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Editora 9Bravos: Criada pelo escritor, editor e arquivologista Ricardo Sodré Andrade. Apesar de a editora estar atualmente voltada para livros técnicos, vale muito a pena conhecer o que já foi publicado em ficção.

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Flash Fiction: No site do escritor e tradutor Santiago Santos, encontramos alguns dos mais apurados e impactantes contos da literatura nacional contemporânea. O cara escreve muito bem e é prolífico. Tem de tudo: comédia, faroeste, fantasia, policial, ficção científica, mainstream, ficção histórica e muito mais. O site tem um visual elegante e é de fácil navegação. Ainda quero ver Santiago ganhar um Prêmio São Paulo da vida!

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Fuleiragem Científica: Site de contos novinho em folha, que une ficção científica com a safadeza brasileira, tão peculiar quanto o humor irlandês.

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Vale também conferir: Retrônicos, Piratas, Contos Sombrios, Reino das Névoas, Fábulas do Tempo e da Eternidade, O Desejo de Ser como um Rio, Páginas do Imaginário, Trópicos Fantásticos, Guerras Cthulhu, Linea Nigra, Sonho Ruim.

 

O DRAMA DA POPULAÇÃO SÍRIA

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Quem sofre com o fogo cruzado entre as potências é o povo da Síria. A cobiça por aquele território é histórica, por causa de seus campos de petróleo e de gás e a localização estratégica entre Oriente e Ocidente. A Síria, como país, surgiu depois da Primeira Guerra Mundial, uma imposição europeia. Na última década, países ocidentais, encabeçados pelos EUA, com apoio da Turquia e Arábia Saudita, disputam o controle político e econômico da região contra a China, Irã e, principalmente, a Rússia, que apoiam o presidente Bashar al-Assad. Ele governa com mão de ferro, para revolta da população, empobrecida pelo desemprego e a decadência da infraestrutura do país. Por isso, começou a guerra civil, com parte da oposição financiada pelo Ocidente. E a repressão do governo aumentou bastante. Para piorar a situação, o Estado Islâmico e a Al-Qaeda viram uma oportunidade de se aproveitar do caos na Síria para recrutar gente e expandir seu poder de influência.

O contexto da região é complexo, remonta há milhares de anos, sob o domínio de impérios orientais e ocidentais. Mas o que é fácil entender é que o povo da Síria, os civis que não pegam em armas, sofre todos os horrores dessa guerra, causando as migrações em massa, inclusive para a Europa. A ONU, que deveria ter um papel moral e humanitário decisivo nessa questão, rende-se às vontades dos governos dos EUA, França e Grã-Bretanha, que afirmam que a única maneira de resolver o problema é pela força. A cruel verdade é que Assad massacra a população síria. Os extremistas islâmicos fazem lavagem cerebral em meninos e transformam meninas em escravas sexuais. E o Ocidente ou fica de braços cruzados, ou fecha as fronteiras, ou joga bombas em suas cabeças, como está acontecendo agora.

QUANDO A SOLUÇÃO É DESOBEDECER

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Thoreau foi um dos pensadores mais fascinantes do século 19. Os EUA de sua época eram um país que utilizava o trabalho escravo e a conquista de territórios em nome do progresso. Thoreau era totalmente contra a escravidão e o pagamento de impostos para financiar um estado bélico que se apropriava de porções do México e massacrava povos indígenas. Para ele, a desobediência civil era legítima quando o governo não representasse mais as prioridades de uma sociedade justa. Como o próprio Throreau diz, um governo só é eficiente quando valoriza a vida. Portanto, é dever de cada um fazer algo concreto para tornar as autoridades cientes disso. Ou seja, não corroborar com as normas sociais que fortalecem o estado e rebaixam o ser humano. Quando uma lei é injusta ou imoral, ela deve ser desacatada. Thoreau era um idealista com os pés no chão. Sabia como o mundo funcionava. E, por isso, queria transformá-lo. Em vida, o reconhecimento de sua obra foi restrito. Mas, a partir do século 20, sua influência foi enorme na política, literatura e filosofia, na voz dos descontentes.