AUTOCRÍTICA DE UM ROMANCE

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Alguma vez, alguém já analisou o próprio conto, novela ou romance depois de escrito, de publicado? Fazendo a comparação do que foi planejado com o resultado final? Abaixo segue minha avaliação, em tópicos, do meu primeiro romance Um Jardim de Maravilhas e Pesadelos, publicado em 2015.

É aquela coisa: você só aprende fazendo. Claro que o estudo é fundamental para aprimorar qualquer escrita. Enquanto eu (r)escrevia esse livro, aprendi muito, na prática, sobre uma série de tópicos, como furos de roteiro, ritmo, construção de cena e desenvolvimento de personagens. Aprendi o que não deve ser feito, principalmente, evitar clichês e preconceitos implícitos ou explícitos.

Godard disse uma frase de que gosto bastante: “Os problemas de um filme sempre podem ser corrigidos no filme seguinte”. Acho que isso é válido também na literatura. Evidente que ninguém nunca quer errar. Mas a verdade é que erramos mais do que acertamos. É a vida. Mas querer acertar é o segredo.

Autocrítica do romance Um Jardim de Maravilhas e Pesadelos:

– Herói mais reativo do que ativo (ponto negativo);

– heroína mais reativa do que ativa (ponto negativo);

– conflito entre heróis (ponto positivo);

– heróis falhos (ponto positivo);

– vilão complexo, ativo (ponto positivo);

– worldbuilding em função da trama, procurando evitar o infodump (ponto positivo);

– uso de macguffin (alguns podem considerar como bem utilizado, outros como algo que precisaria de maiores explicações);

– uso da arma de chehkov (satisfatoriamente utilizada, evitou o deus ex machina no clímax);

– estrutura em três atos (está bem disfarçadinho, mas existe);

– uso de reviravoltas e ganchos (utilizados de maneira orgânica, surpreendendo o leitor, mas sem enganá-lo);

– sem jornada do herói (existe uma série de passos que determinam se o protagonista percorreu a jornada como estrutura narrativa. No filme Matrix, Neo faz essa jornada de maneira clássica, seguindo cada um desses passos. Certos autores usam apenas alguns aspectos da jornada. No meu caso, a evitei completamente por achar que não se adequaria à história que eu queria contar, e também por considerá-la batida. Isso foi a coisa mais consciente que fiz ao escrever o livro. O problema de muitos autores é que eles tentam adequar sua história à jornada do herói e não o contrário).

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