4 LIVROS DE CONTOS INCRÍVEIS ESCRITOS POR MULHERES

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Esses quatro livros de contos dão voz às mulheres da maneira completa possível. Ou seja, mostram que elas podem ser o que bem entender. O que muitos consideram ser loucura, vulgaridade, petulância e desvio, as mulheres chamam de liberdade e igualdade de direitos. Nem todas as mulheres desses contos têm plena consciência do seu feminismo, mas todas são personagens tridimensionais. Sabem o que querem e não querem para si.

Em O que Acontece Quando um Homem Cai do Céu, de Lesley Nneka Arimah, acompanhamos o livro com as histórias mais variadas em seus temas. A autora é britânica, criada na Nigéria e hoje mora nos EUA. É uma nerd declarada. E suas histórias refletem isso. Há de tudo um pouco, o fantástico, ficção cientifica, fábula, terror. Há também contos realistas. O que chamou tanto a atenção para esse livro largamente premiado é a sensibilidade de Arimah em conectar invenção e realidade de maneira tão intensa, profunda e sábia em poucas páginas. A visão geral é de desencanto. As personagens são mulheres ora sofridas, ora opressoras. Por isso, aqui não há lugar para ingenuidade. Outro aspecto interessante é ver como essas meninas e mulheres negras têm uma vida interior vibrante, provocando nelas todo tipo de sentimentos. A edição da editora Kapulana é bem cuidada. Não há muitos erros de revisão. Mas, às vezes, o espaçamento entre as palavras atrapalha a leitura. E a capa podia ser mais bonita. O que Acontece Quando um Homem Cai do Céu traz uma vigorosa perspectiva de pessoas que dificilmente são vistas em sua plenitude.

Já a autora argentina Mariana Enriquez apresenta ao leitor brasileiro um dos livros de ficção mais impactantes da última década. O seu As Coisas que Perdemos no Fogo investe no terror de forma visceral. É assustador porque a autora transforma os horrores do cotidiano da classe média e da periferia de Buenos Aires e da história recente da Argentina numa literatura claustrofóbica de primeira, ampliando significados e efeitos do comportamento humano e de mazelas sociais e políticas. Aqui também o foco são meninas e mulheres. Desta vez, as protagonistas estão mais à vontade na posição de gente branca com algum dinheiro, mesmo que meio decadente. Mas Enriquez nunca é leviana. Aliás, é por meio de sua extrema consciência que ela aperta os botões certos para nos apavorar. Estas protagonistas geralmente se colocam em situações perturbadoras, testemunhas do que há de pior na sociedade. Em ritmo de suspense, cada conto nos envolve e desestabiliza, à medida que avançamos em atmosferas pesadas, com lugares sujos, escuros e abandonados, habitados por personagens trágicos. A edição impecável da editora Intrínseca não nos distrai, não nos deixa sair desse mundo. Leitura para estômagos fortes.

O Corpo Dela e Outras Farras, da cubano-americana Carmen Maria Machado, conseguiu a proeza de ser finalista do National Book Award, o segundo prêmio literário mais importante dos EUA, depois do Pulitzer. É uma enorme conquista para um livro tão influenciado pelo fantástico e pelo terror. Não podia deixar de ser, mulheres são as protagonistas, geralmente lésbicas. Seus contos são alegorias poderosas a respeito de vários aspectos da vida da mulher contemporânea, principalmente, sobre agressões físicas, psicológicas e simbólicas, como a violência doméstica, o estupro, os papéis femininos na sociedade, a frustração sexual, a ditadura da beleza, a aceitação do corpo. Infelizmente, no geral, foi o livro de que menos gostei dos quatro, por sua irregularidade. Pela variação entre contos excelentes e cansativos, longos além da conta. Mas isso não significa que você deva ignorar a obra. Ela vale muito a pena por seus melhores momentos. E para completar, a edição da editora Planeta do Brasil é a mais bonita de todas, com uma lindíssima capa dura e um projeto gráfico ao mesmo tempo elegante e sombrio.

No caso da gaúcha Natália Borges Polesso, acompanhamos algo muito interessante. Amora é um livro de contos com tema único, relações lésbicas, mas com várias abordagens. O mais bacana é que os contos trazem uma consciência feminista muito presente, mas não há nada de panfletário. As personagens se comportam de maneira complexa, não se limitando a ser uma coisa só, uma metáfora, uma condição. O desenvolvimento realista de cada narradora ou personagem central convence o leitor que se trata de gente de carne e osso, com todas as suas potencialidades e contradições. Tem conto que você dá altas gargalhadas pelo humor sacana e tem conto que é emocionante pra burro pela força do afeto. Natália é a autora que mais experimenta em conteúdo e forma, sendo que algumas histórias são verdadeiros poemas em prosa. A edição da Não Editora é caprichada, em capa dura, muito gostosa de ter em mãos e com uma diagramação que facilita a leitura. O livro ganhou o prêmio Jabuti com todos os méritos. É um marco da literatura nacional.

Esses quatro livros são exemplos do que há de novo na literatura contemporânea. São visões de mundo que não pedem licença para existir. Trazem autoras que aliam o apuro narrativo com ideias arrojadas, colocando o tão relegado conto no centro da cena literária.

O que Acontece Quando um Homem Cai do Céu, de Lesley Nneka Arimah, 168 págs., Kapulana.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE.

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As Coisas que Perdemos no Fogo, de Mariana Enriquez, 192 págs., Intrínseca.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE.

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O Corpo Dela e Outras Farras, de Carmen Maria Machado, 240 págs., Planeta do Brasil, selo Minotauro.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE.

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Amora, de Natália Borges Polesso, 256 págs., Não Editora.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE.

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CRIANÇAS LOBO PARA AMAR

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Wolf Children é um slice of life com um discreto toque de fantasia. Conta a história de uma mãe humana que tem de criar dois filhos lobisomens no Japão contemporâneo. Longe de ser um filme de terror, o anime dá medo por ser muito humano. Na verdade, assim como a vida, há de tudo um pouco: drama, comédia, tensão, tragédia e esperança.

O diretor e co-roteirista Mamoru Hosoda é um dos grandes mestres da animação japonesa. Sem dúvida, muito influenciado por Hayao Miyazaki, tanto na fluidez da animação quanto no desenvolvimento dos personagens. A luta de Hana, a mãe, para criar os dois filhos é cativante e bastante realista. Ela tenta cuidar da saúde, da alimentação e da educação deles, ao mesmo tempo em que precisa protegê-los de um mundo que pode machucá-los, física e psicologicamente.

Acompanhamos o crescimento da mais velha Yuki e do caçula Ame com curiosidade, encanto e apreensão. Afinal, os dois passam pelos mesmos problemas de outras crianças e adolescentes em sociedade, mas com um elemento a mais que torna suas vidas mais difíceis. Não por culpa deles, mas dos outros que não os compreendem. Há também momentos de extrema beleza e emoção, quando as crianças aproveitam todo o potencial de liberdade por serem lobisomens, num inspirador contato com a natureza.

Wolf Children é para todas as idades, mas, com certeza, são os adultos que vão melhor captar seus significados. Fala-se principalmente sobre identidade, pertencimento, sobre encontrar um lugar no mundo. Disponível na Netflix.

Wolf Children (2012), de Mamoru Hosoda, 117 min., Studio Chizu e Madhouse.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO, EXCELENTE

HOMECOMING, A RECICLAGEM DOS FILMES DE CONSPIRAÇÃO DOS ANOS 70

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Homecoming é uma série estrelada por Julia Roberts. Na verdade, é a estreia dela na TV como protagonista. Vocês podem pensar que, pelo título e pela fama de queridinha da América da atriz, a série seja uma comédia água com açúcar. Mas vocês vão ficar de queixo caído já no primeiro episódio. Homecoming é um thriller tenso pra burro, com todos os episódios dirigidos por Sam Esmail, o criador de Mr. Robot.

Aqui Julia Roberts é uma terapeuta, coordenadora de um centro de recuperação para veteranos de guerra. Sua função é ajudar esses jovens traumatizados a lidar com as sequelas psicológicas dos horrores vivenciados no campo de batalha. Mas, aos poucos, alguns clientes, como os soldados são chamados, começam a desconfiar dos reais propósitos da empresa que financia o projeto.

Homecoming se passa em duas linhas temporais, nos dias de hoje e em um futuro próximo. A série funciona muito bem porque as partes que a compõem formam um todo coeso e intrigante. São dez episódios com cerca de 30 minutos cada. A tensão está presente do primeiro ao último minuto de cada episódio. Os roteiros dos criadores da série, Micah Bloomberg e Eli Horowitz, têm diálogos ora penetrantes, ora casualmente irônicos, além de montar um quebra-cabeça que, ao final, faz sentido e de, certa maneira, explode nossas cabeças.

A direção estilizada de Sam Esmail eleva a qualidade do texto. Esmail pegou, sem nenhum pudor, a estética dos filmes de conspiração dos anos 70, misturou com outro tanto de Hitchcock, um pouquinho de cyberpunk, bateu e saiu com escolhas visuais e sonoras que são ao mesmo tempo homenagem, paródia e evolução de filmes como Todos os Homens do Presidente, Maratona da Morte e Três Dias do Condor. Julia Roberts está muito bem, despida de qualquer glamour, num personagem bastante humano, ou seja, ambíguo. O final da série é surpreendente porque quebra expectativas ao entregar o que o espectador não pediu, mas que é interessante mesmo assim.

O perigo é real, só que não do jeito que você pensa. A cena pós-crédito do season finale deixa um belo gancho para a 2ª temporada, que já ganhou o sinal verde.

Homecoming (2018), 10 episódios, aprox. 30 min., Amazon Studios e outros.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE

O DESESPERO DAS FLORES

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O menino aprendeu com o pai
a amar as flores na labuta diária
no jardim bonito da casa
fizesse sol ou chuva

O menino conversava com as flores
em sussurros, para que ninguém o zombasse
pois as flores sabiam: sua dor era um segredo
e por isso tentavam animá-lo
com o zum-zum-zum das abelhas

As lágrimas invisíveis do menino
caíam em suas bochechas negras
assim que caíam as bombas
sobre as ruas, as casas, as pessoas

Apesar de toda aflição
o menino se espantava pelo jardim bonito
continuar bonito
como o último milagre de um deus morto

Certa noite, a família do menino teve de fugir
mama e papa não deram maiores explicações
abandonariam a casa abalada e o jardim bonito
e as lágrimas do menino agora caíam sem pudor

Levariam apenas o necessário para a jornada incerta
e o menino teve de fazer uma escolha difícil:
qual das flores carregar consigo,
deixar todas para trás não era uma opção

As palavras de papa foram duras, puro desencanto
em ver o homem que ensinou o menino a amar as flores
dizendo que a flor eleita seria um castigo vivo
de um passado que já não existia mais a assombrá-los

O menino era um bom menino, mas um menino
e como todo menino não entedia de muitas coisas
ou não queria entender ou fingia não entender,
mas, no final, venceu a batalha, não havia mais tempo para altercações

E a família partiu aproveitando o silêncio das bombas
e o menino escutou o choro de outros meninos e meninas e flores que ficavam
porque todas as abelhas também partiam

(Ricardo Santos)

AQUAMAN, UM FILME B DE LUXO

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Adorei o filme da Mulher-Maravilha. E gostei de Aquaman. Se você odiou o filme de James Wan ou achou regular, não vou tirar sua razão. Comparado a outras superproduções, Aquaman é uma bagunça, tem problemas de ritmo, personagens são subaproveitados e é um pouco longo. Mas é uma bagunça divertida e bonita de ver.

O roteiro não faz o menor sentido ao cruzar informações do passado e do presente, de Atlantis e dos personagens. A maioria dos diálogos é constrangedora. As atuações são quase todas canastronas. Mas o grande mérito aqui é que todos os envolvidos abraçaram a cafonice da proposta sem medo. E essa cafonice dá certo porque não rimos dela, mas com ela. Vem embalada numa produção de primeira, com clima de anos 80. Os efeitos especiais e sonoros são impressionantes, mostrando um universo subaquático rico. As cenas de ação são brutais, muito bem coreografadas. A trilha sonora, usando sintetizadores, à maneira synthwave, e orquestra e percussão, é envolvente, ora ameaçadora, ora cheia de fantasia. O tema do Arraia Negra é de arrepiar.

Apesar dos problemas do roteiro, o terceiro ato é o melhor dos filmes da DC desde O Cavaleiro das Trevas. Na verdade, no papel, Aquaman não convence. O talento de James Wan tirou leite de pedra ao transformar um personagem secundário e motivo de piadas num herói carismático. Além do diretor enfrentar a complicada logística de filmar e pós-produzir cenas envolvendo água.

É muito bacana ver um filme desse porte com um protagonista que não é branco. O Aquaman/Arthur Curry de Jason Momoa ganha o público pelo apelo de astro de rock bombado, mas também por ser vulnerável emocionalmente, pelo humor e por ser um herói falho. Os vilões marcaram presença, principalmente, o rei Orm de Patrick Wilson, um lobo em pele de cordeiro. Agora Wan ficou devendo nas personagens femininas. Elas são badass e mais espertas do que os homens, mas são colocadas em segundo plano em momentos decisivos.

Aquaman é um filme B de luxo, o Flash Gordon do séc.21.

Aquaman, de James Wan, 2018, 143 min., Warner Bros. e outros.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE

VEM AÍ A 2ª EDIÇÃO DA ESTRANHA BAHIA!

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Agora posso anunciar. Galera, vem aí a 2ª edição da Estranha Bahia, nossa coletânea de contos de terror, fantasia e FC! Publicada originalmente em 2016, foi finalista do prêmio Argos 2017. Os contos foram revistos pelos autores. Furos de roteiro foram corrigidos, passagens foram reescritas ou cortadas. As histórias estão mais coesas e elegantes, além de ter ganhado uma nova revisão. O nosso projeto gráfico emulando as revistas pulp continua. O acabamento da edição será melhor, com capa cartão (antes era papel couchê) e costura mais robusta. Vamos gastar um dinheirinho em divulgação e tentar ser um pouco mais criativos na promoção do livro. E será mais fácil adquiri-lo por meio de loja virtual. O lançamento das edições digital e física será em março de 2019 a um preço atraente.

SAIU CONTO NOVO!

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Saiu um conto novo meu na Amazon. Uma ficção científica chamada Wonder, publicada originalmente na revista Trasgo número 15, em 2017. Em um mundo onde os wonders, crianças com uma inteligência nunca antes vista, tanto fascinam quanto causam temor, um pai especula sobre o futuro do seu filho que vai nascer. A vida dessa família nunca mais será a mesma. Clique na capa e boa leitura!

PERSON OF INTEREST: ANTES DE WESTWORLD

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Christopher Nolan é um diretor muito talentoso, mas metade de seu sucesso se deve ao irmão e roteirista Jonathan Nolan. É como se o irmão mais velho Chris fosse o frontman da banda e Johnny, o guitarrista misterioso.

Desde o inventivo roteiro do filme Memento virei fã de Jonathan Nolan. Depois ele, em parceria com David S. Goyer, escreveu aquela maravilha chamada O Cavaleiro das Trevas. E então veio Westworld. Junto com sua esposa Lisa Joy, Jonathan Nolan mostrou do que era realmente capaz de fazer com total liberdade criativa.

Mas antes houve Person of Interest. Uma série de TV que teve cinco temporadas (2011-2016) e que também falava sobre inteligência artificial. Já faz algum tempo que não tenho mais paciência para assistir série de canal aberto com vinte e tantos episódios. Mesmo assim resolvi tentar e fiquei viciado. Que série incrível!

O que me atraiu em Person of Interest foram os personagens carismáticos (inclusive os vilões), os diálogos afiados e o worldbuilding desenvolvido. Após o ataque às Torres Gêmeas, o cientista Harold Finch (Michael Emerson) cria um supercomputador para prever ameaças aos EUA. As coisas dão errado e ele se torna um fugitivo do governo americano que agora usa sua criação para ajudar as pessoas ao invés de prejudicá-las. Para isso, Finch conta com a ajuda do ex-militar e ex-agente da CIA John Reese (Jim Caviezel), um homem em crise.

Destaque para as personagens femininas: sábias, irônicas, determinadas, guerreiras, violentas e imperfeitas. A policial Joss Carter (Taraji P. Henson), a hacker Root (Amy Acker), a espiã Sameen Shaw (Sarah Shahi), a fixer Zoe Morgan (Page Turco) , a criminosa Harper Rose (Annie Ilonzeh), a dirigente da CIA Control (Camryn Manheim), a agente da CIA Kara Stanton (Annie Parisse), a assassina Martine Rousseau (Cara Buono) e outras. Mesmo havendo uma atenção quanto à diversidade, aconteceram na série mortes desnecessárias, reforçando estereótipos.

Person of Interest começa como um procedural, muito acima da média, e evolui para uma trama de ficção científica das mais relevantes. Temas como liberdade, escolha, determinismo e vigilância são recorrentes, fazendo o espectador pensar melhor sobre as consequências do comportamento humano, como indivíduo e sociedade.

A série também é muito divertida, cheia de humor nerd, suspense e ação. Por ter tido mais de 100 episódios, é óbvio que a qualidade oscila. Mas há episódios memoráveis em cada temporada. E, pra mim, a 4ª atinge o auge. Toda ela praticamente voltada para o arco principal.

Outro destaque é a trilha sonora imersiva do sempre ótimo Ramin Djawadi (Pacific Rim, Westworld, Game of Thrones). Além de músicas do Radiohead, Pink Floyd e Massive Attack.

Person of Interest (2011-2016), 5 temporadas, criador Jonathan Nolan, Warner, Bad Robot e Kilter Films

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE

MAIS UMA COLETÂNEA CHEGANDO

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Mais uma coletânea chegando, galera! Em meu conto Óculos escuros, um dia de sol, de praia, torna-se cenário de uma história sinistra.  Muito orgulho de fazer parte desse time fantástico de autores. Para ler a edição em e-book, com essa capa belíssima e uma diagramação cheia de mimos, é só clicar na imagem.