AS 5 MELHORES SÉRIES QUE EU VI EM 2017

É totalmente compreensível quando alguém prefere ficar em casa, no lugar de ir ao cinema. Hoje em dia, não faltam séries excelentes para assistir no conforto do seu lar, com um custo-benefício muito mais atraente. É até impossível acompanhar o volume de produções de qualidade, entre lançamentos e novas temporadas. As cincos séries escolhidas por mim como as melhores do ano foram aquelas que tentaram quebrar estereótipos sociais e clichês narrativos. Que ousaram na forma e trouxeram conteúdos sob um novo olhar. Em alguns casos, com um impacto digno dos melhores momentos da sétima arte.

5) Master of None (2ª temporada)

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A primeira temporada me conquistou por ter tido a ousadia de fazer uma comédia romântica inteligente do ponto de vista do cara que geralmente é o melhor amigo não-branco do protagonista branco. No caso, um cara de ascendência indiana. Aziz Ansari conseguiu ser divertido e, ao mesmo tempo, não banalizar temas cabeludos, como racismo e diferenças culturais. Na segunda temporada, vemos uma produção mais ambiciosa e madura, sem perder a leveza tão marcante da série. Há mais experimentações de linguagem, o próprio Ansari se mostra um roteirista e diretor mais seguro e inventivo. A coisa fica mais dramática nos últimos episódios. Mas tudo é tão bem executado que nos deixamos levar pelas angústias dos personagens. No final, entre a fantasia e a realidade, percebemos que não existe receita pronta quando o assunto é relacionamentos.

4) Mindhunter

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Se você gostou do filme Zodíaco, de David Fincher, vai amar Mindhunter. Na série, o tema do serial killer é tratado com ainda mais paciência e sutileza. Uma das surpresas do ano, esse drama policial acertou muito bem em concentrar seus esforços nas histórias. Todo o elenco está excelente, mesmo nos menores papéis, mas não há estrelas. A recriação dos EUA dos anos 70 é impecável, mas a direção dos episódios sempre é muito discreta. O ritmo mais lento da série é compensado pelos diálogos ágeis, interessantes e perturbadores. Apesar do fundo histórico, sobre o início do programa de análise de serial killers dentro do FBI, há muita liberdade criativa. O que acaba sendo uma maneira bem acertada de falar sobre o passado sob uma ótica contemporânea. Há muita violência física contra mulheres na série, afinal, são as vítimas preferidas dos serial killers, além do machismo, da violência simbólica, dos homens de bem. Contudo,  as personagens femininas, principalmente as protagonistas, estão longe de ser indefesas, submissas. A série é intensa, mas não é gráfica. O suspense cresce a cada episódio sem ninguém dar um tiro sequer.

3) Legion 

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Essa série é a coisa mais diferente que já vi, na TV ou no cinema, envolvendo super-heróis. O canal FX deu carta branca para o badalado showrunner Noah Hawley virar o universo dos X-Men pelo avesso. A narrativa de Legion é uma mistura de Michel Gondry e David Lynch. A direção de arte também é uma mistureba interessante de referências dos anos 60, 70 e atuais. Uma solução para cortar custos, mas que funcionou muito bem para dar um visual único à produção. Provavelmente, o espectador médio, mesmo fã da Marvel, vai achar tudo muito estranho e difícil de acompanhar. Há heróis, vilões e superpoderes, mas a atmosfera de sonho, de delírio, talvez não agrade quem espera uma narrativa mais linear, menos subjetiva. A verdade é que Legion deu um novo fôlego às adaptações de super-heróis. Mesmo que pouca coisa dos quadrinhos tenha sido usada. Mas há uma ligação direta com os X-Men, que pode ser mais explorada no futuro.

2) Cara Gente Branca

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Essa série da Netflix é uma ótima maneira de qualquer pessoa entender como o racismo opera na sociedade. Mostra a vida de estudantes negros numa universidade americana de elite. A escolha do cenário é certeira. Num ambiente onde o pensamento progressista devia dominar, arma-se um campo de batalha racial depois de uma festa blackface. A partir daí o espectador tem contato com todos os aspectos da vida universitária, principalmente, os menos nobres. A sistematização do racismo no campus não é muito diferente do que acontece em outros espaços sociais. Num lugar onde o jovem negro devia se sentir seguro, a violência simbólica é mais articulada. E a violência física é a mesma do mundo lá fora. Acompanhamos as várias nuances da experiência do jovem negro pelo ponto de vista de um elenco de personagens complexos. À primeira vista, eles podem ser vistos como estereótipos (a ativista, a patricinha, o radical, o capitão do mato). Mas a série dá oportunidade para que o espectador e os próprios personagens reflitam sobre quem eles são, a fundo. A todo momento, esses jovens tentam entender como fazer parte de uma sociedade que assimila e enaltece a cultura negra, mas que não se importa com corpos e mentes de gente negra. O humor aqui não é para gargalhar. Está mais para uma ironia incômoda.

1) Twin Peaks – O Retorno

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Não teve para mais ninguém em 2017 (ainda não vi The Handmaid´s Tale). O que inicialmente parecia uma ideia duvidosa, mesmo se tratando de David Lynch, acabou, no final, explodindo nossas cabeças. A 3ª temporada de Twin Peaks é um revival que nada tem de previsível ou preguiçoso. Lynch não se preocupou muito em agradar aos fãs de Twin Peaks. Há fan service, alguns inclusive aquecem o coração. Mas Lynch aproveitou esta oportunidade de retomar a série para expandir o universo criado por ele e pelo roteirista Mark Frost. Nos anos 90, Lynch revolucionou a televisão com uma 1ª temporada que transformava uma novela, uma soap opera, num pesadelo surrealista. No Retorno, ele vai ainda mais longe, numa narrativa mais fragmentada, mais lenta, mais delirante e mais engraçada. É puro cinema. Um filme de 18 horas, que surpreende a cada episódio. O que importa na obra de Lynch não é encontrar respostas, e sim ficar fascinado e abalado com as maravilhas e os horrores da jornada.

2 comentários

  1. Alondra Silva · novembro 30, 2018

    Super boas dicas! Eu também acho que são ótimas series. Eu sou fã das series boas e uma das minhas favoritas é Sr. ávila. Pelos resumos que li, a nova temporada promete muito para o espectador e espero que assim seja. Considero que aborda um tema interessante e pode chegar a encantar ao publico principalmente pelo seu elenco e depois pelo estilo da historia. Recoemndo. Vale muito à pena, é um dos melhores do seu gênero. Além, tem pontos extras por ser uma historia criativa.

    Curtido por 1 pessoa

    • ricardoescreve · dezembro 1, 2018

      Oi. Realmente tem muita série boa rolando. Mais do que a gente pode assistir rs Bacana também é ver séries de outros países bombando. Tem muita série boa fora dos EUA. Aqui no Brasil também tem algumas, mas ainda acho pouco. Tem que ter mais.

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