OS 5 MELHORES FILMES QUE EU VI EM 2017

Este ano resolvi selecionar não só filmes que vi no cinema. Cada vez mais, os serviços de streaming trazem excelentes filmes menores ou de outros países, difíceis de ver na telona. Teve muita coisa boa em cartaz, na tv a cabo e na internet. Adorei o escracho de Thor: Ragnarok. A mistura de faroeste e road movie em Logan. O gore visceral de Raw. A camaradagem juvenil de IT. O hilário What We Do in the Shadows. O épico indiano Bahubali. O fofo Sing Street. Mas também houve decepções. A maior delas foi o genérico e apagado Liga da Justiça. Kingsman 2 foi um filme desnecessário. Blade Runner 2049 é belíssimo, mas, no fim, apresenta um subtexto problemático, preocupado demais com o drama do homem branco. Os 5 filmes que escolhi são as narrativas que mais me impressionaram visual e filosoficamente em 2017. Fiquei pensando neles durante vários dias depois de vê-los.

5) OS ÚLTIMOS JEDI

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Os Últimos Jedi (por que no Brasil não se chamou O Último Jedi?) tem um ritmo irregular, barriga, personagens mal aproveitados e furos de roteiro, mas acabou se tornando uma das mais vibrantes experiências cinematográficas que tive recentemente. O filme trata, acima de tudo, do conflito de gerações entre a trilogia original e o novo cânone. Esse Episódio VIII veio para refundar a franquia, saindo da zona de conforto de O Despertar da Força. Pela primeira vez, vemos um filme de Star Wars do jeito que a Disney quer. Ou seja, entretenimento para todas as idades. Além disso, o diretor e roteirista Rian Johnson teve liberdade para escrever uma alegoria política sobre os tempos atuais, sobre a valorização da diversidade, da mulher, do herói comum, e uma crítica à fúria dos conservadores e à masculinidade tóxica. Visualmente, é o filme mais bonito de Star Wars, com momentos de cair o queixo, ou ficar em silêncio. O uso da cor vermelha tem uma carga dramática só vista no trabalho de autores arrojados, como Tarantino e Kubrick. É um filme corajoso em quebrar expectativas, fazendo uma devastadora autocrítica da mitologia da franquia e da própria jornada do herói no cinema. Tudo isso para tornar Star Wars ainda mais relevante e mágico.

4) MULHER-MARAVILHA   

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A Warner tem de agradecer de joelhos à diretora Patty Jenkins! Sem ela, o novo universo da DC no cinema seria um completo fracasso criativo. O filme da Mulher-Maravilha é um marco em vários aspectos, uma grande produção, comandada por uma mulher, que quebrou vários recordes de bilheteria. Acima de tudo, é um filme que amamos. Por retratar a Mulher-Maravilha de maneira tão sábia e vibrante. O filme é especial, porque, pela primeira vez, vemos personagens femininas em um blockbuster como pessoas, não como objetos sexuais, não como badass apenas; mesmo o excelente Mad Max – Estrada da Fúria ficou devendo nesse quesito. Enquadramentos de câmera, figurinos, diálogos, propósito e relevância na trama. Tudo isso foi muito bem orquestrado para que o espectador curtisse uma abordagem inédita numa produção desse porte. 80% do longa funciona muito bem. Mulher-Maravilha é um belo filme  histórico anti-guerra com super-heróis.

3) UNDER THE SHADOW

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Filme de terror pouco falado em 2016, mas que chegou a entrar em algumas listas de melhores do ano. É uma produção da Grã-Bretanha, Irã e Qatar. É a estreia do diretor e roteirista iraniano Babak Anvari. E o cara destrói. O filme se passa no Irã dos anos 80, durante a guerra Irã-Iraque. Uma mulher iraniana passa por uma série de problemas. Sofre com os bombardeios que atingem a capital Teerã, tem de cuidar da filha pequena inquieta, tem um marido que acha conveniente sua condição de dona de casa e o regime do aiatolá Khomeini a impede de continuar os estudos de medicina, por causa do seu passado político. O filme demora um pouco para engrenar. Mas, quando começa de fato, apresenta um terror sutil, que aumenta de intensidade, ficando cada vez mais assustador. O interessante é que a história do Irã e a cultura árabe são usados para realizar um filme de terror que também fala sobre os absurdos da guerra e angústias sociais quando não se tem liberdade.

2) YOUR NAME

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Sou fanzaço do diretor e roteirista Makoto Shinkai. Em Your Name, ele está no auge do seu talento. Não por acaso, o filme foi um gigantesco sucesso de bilheteria no Japão e pode ganhar uma versão live-action americana em breve. A obra de Shinkai fascina pela junção poderosa entre visual e emoção. Fãs de anime e apreciadores da cultura japonesa vão perceber as várias camadas do filme, indo além do melodrama juvenil. É uma constante no trabalho de Shinkai a discussão sobre pertencimento, o lugar de cada um no mundo, o vazio existencial, solidão, encontros e desencontros, tradição e o futuro. Em Your Name, os contrastes e conexões entre o Japão do passado e o atual são magistralmente mostrados, tornando-se um recurso fundamental na trama. Os elementos de fantasia e de crônica da vida moderna trazem algo bem original na maneira de contar uma história de amor entre adolescentes. Há o humor pateta e momentos mais tristes e tensos, embalados por uma trilha sonora filhadaputamente tocante. O filme tem uma dinâmica incrível com viradas de roteiro imprevisíveis. O elenco de personagens é muito carismático. E a mistura de animação tradicional e computação gráfica é a mais deslumbrante já vista numa obra de Shinkai. A melancolia de Your Name é romântica, mas nunca é desonesta. É uma animação belíssima, triste, que, no final, deixa na gente uma sensação boa de aprendizado.

1) CORRA!

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Corra! é um filme brilhante. A intenção do diretor e roteirista Jordan Peele era fazer uma reflexão sobre a condição do negro americano por meio de uma sátira, uma mistura de terror psicológico e comédia. Também podemos dizer que este é um dos melhores filmes de ficção científica dos últimos anos. A grande sacada aqui não é mostrar antagonistas explicitamente racistas, gente que odeia pessoas negras, que quer matá-las violentamente. O contrário é mais assustador. Em Corra! os brancos adoram, idolatram os negros. Mas sua versão distorcida de admiração gera uma violência ainda mais perturbadora. Na verdade, esse fascínio pela figura do negro é superficial. Mais uma vez, a dignidade de pessoas negras é tratada como coisa de quinta categoria, algo a ser descartado. Na sua estreia como diretor, Jordan Peele surpreende por sua segurança e ambição. Ele é um cinéfilo. Percebemos isso ao longo da trama, com suas referências a clássicos da ficção científica e do terror. Corra! é um filme que nunca vimos antes. É uma poderosa reflexão sobre as várias faces do racismo no formato de uma sátira assustadora.

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