O HARVEYGATE E SEUS CÚMPLICES

'KILL BILL: VOLUME 1' FILM PREMIERE, LOS ANGELES, AMERICA - 29 SEP 2003

Estrelas e astros de Hollywood deixam aquela impressão de que estão acima de muita coisa, acima do bem e do mal, do que é ético e anti-ético, por causa da condição peculiar da indústria em que trabalham. Indústria essa que é uma mescla de poder econômico e simbólico, uma combinação praticamente perfeita entre dinheiro, glamour e imaginário popular.

Muita gente com poder de decisão em Hollywood acha que são deuses, que podem fazer de tudo sem medir as consequências. Principalmente, atingindo quem não tem poder nenhum e busca um sonho, qualquer que seja, não façamos aqui juízo de valor das vítimas. Então crianças e jovens, garotos e garotas, em nome do objetivo de fazer parte dessa indústria cheia de magia, submetem-se a todo tipo de humilhações e abusos.

O produtor Harvey Weinstein pensava que era deus. E agora ficou claro que deuses podem ser mortos. Mas o que dizer de seus cúmplices? O cineasta Quentin Tarantino tardiamente admitiu que sabia do comportamento monstruoso de Weinstein e que não fez muita coisa a respeito. Para piorar,  a atriz Mira Sorvino, que foi namorada de Tarantino, foi uma das vítimas de Weinstein.

Por outro lado, Brad Pitt, quando soube do assédio de Weinstein em cima da então namorada Gwyneth Paltrow, encostou o cara na parede durante uma festa e o ameaçou. O diretor e roteirista Kevin Smith (que, assim como Tarantino, deve a carreira a Weinstein) o criticou duramente, sentiu-se envergonhado e repassou o restante dos lucros de sua parceira com Weinstein para uma fundação de apoio a cineastas mulheres. Seth Rogen, por saber da fama de Weinstein, nunca quis trabalhar com ele.

Assédio em Hollywood é algo infelizmente muito antigo. Há notórios assediadores, como o cineasta Alfred Hitchock. Harvey Weinstein foi um dos maiores predadores da indústria do cinema, provavelmente o pior nas últimas décadas. Pelos vários depoimentos de suas vítimas, desde modelos e atrizes desconhecidas a estrelas como Angelina Jolie, percebe-se que seu assédio era algo fora comum, mesmo em Hollywood. Era sistemático e contava com uma rede de cúmplices. Os atores Matt Damon e Ben Affleck se viram no meio de um furação de críticas, com suspeitas de encobertar o comportamento de Weinstein e pela demora em se pronunciar. Ambos foram revelados, com sucesso de bilheteria e Oscars, no filme Gênio Indomável (1997), produzido por Weinstein.

Evidente que existe certa hipocrisia na condenação a Weinstein. A Academia do Oscar o expulsou, mas entre seus membros encontramos outros assediadores, inclusive, acusados e condenados pela Justiça, como Bill Cosby e Roman Polanski.  Entre os jovens atores, Casey Afleck é o nome mais comentado.

Mesmo assim o Harveygate é uma revolução. Assediadores estão perdendo seus empregos e poder no mundo do entretenimento. E essas denúncias estão inspirando vítimas de outras áreas a se levantar.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s