ESPADA E MAGIA NACIONAL

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Prefiro ler mais fantasia heroica do que épica, por ser mais focada em um ou poucos protagonistas, num recorte mais limitado, mais concentrado, de uma aventura fantástica. Lembra muito a maneira de contar histórias do gênero policial, com personagens durões e solitários, num ambiente corrompido. Outro aspecto que me agrada em Espada e Magia é a valorização do conto, da noveleta e da novela, do texto mais curto e intenso.

No caso da antologia Sagas, temos contos de autores brasileiros que se inspiraram em mestres do passado para criar suas próprias versões de fantasia heroica.

César Alcázar, em Lágrimas do Anjo da Morte, traz ao leitor o que podemos chamar de fantasia histórica, tendo como cenário a Irlanda medieval. Considero este o melhor conto da coletânea, com o ponto de vista do anti-herói, o mercenário Anrath, o Cão Negro, bem desenvolvido e envolvente. O texto mostra elegância, força e boas soluções de enredo. A Cidadela de Elan, de Georgette Silen, representa bem as mulheres com sua Kira, uma guerreira totalmente capaz, lembrando Red Sonja e Jirel of Jory. O maior problema do conto porém é seu desfecho decepcionante, ao utilizar o recurso do deus ex machina, uma solução preguiçosa tirada da cartola.

Em A Dama da Casa de Wassir, Rober Pinheiro apresenta o conto mais próximo do Conan, de Robert E. Howard, com guerreiros bárbaros, feiticeiros malignos e bestas sobrenaturais. Sua trama é dinâmica, o texto é fluido, mas os personagens não têm muito carisma e a figura feminina é vista de forma depreciativa, que não merece confiança, mesmo com capacidade de luta. O livro fecha com Sem Lembranças daquele Inverno, de Duda Falcão. Lembra um pouco o clima da série Lankhmar, de Fritz Leiber, misturando cenários urbanos e selvagens. O conto tem uma estrutura interessante, variando pontos de vista. Pena que o potencial da trama não é melhor explorado. O desfecho tinha tudo para ter a reviravolta mais criativa e com o subtexto mais relevante da antologia, envolvendo a feiticeira ladra, mas acabou sendo mais convencional.

A edição da editora Argonautas está caprichada. Em formato de bolso, o projeto gráfico é simples sem deixar de ser bonito, a tipografia escolhida é agradável de ler e a composição da capa é uma bela homenagem a títulos do passado.

Sagas, volume 1, de César Alcázar e outros, 144 págs., Argonautas.

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE

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