DEADPOOL, O NOVO FERRIS BUELLER

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Deadpool é um filme que Hollywood ainda tenta entender. Como a adaptação de um personagem de quadrinhos pouco conhecido, com um orçamento muito abaixo das grandes produções, está provocando tanto entusiasmo e fazendo tanto dinheiro? A resposta não é tão simples, mas pode ser resumida: liberdade de criação.

Os envolvidos no filme tiveram liberdade para trabalhar um personagem politicamente incorreto sem interferências castradoras. Foi um risco calculado. Se fosse um fracasso de bilheteria, não perderiam centenas de milhões de dólares. A Fox merece aplausos de pé. É tão estranho quando um estúdio acredita na loucura de alguns cineastas. A Warner fez isso com George Miller e o mundo ganhou Mad Max: Estrada da Fúria. Agora temos Deadpool. Um filme que com certeza mudará os rumos dos super-heróis nas telonas. Mudar quanto é a pergunta de ouro.

Os realizadores de Deadpool foram inteligentes em criar uma comédia de ação muito bem azeitada. Agrada fãs de HQs e o público em geral. Deadpool é algo que o frequentador de cinema esperava há muito tempo. Um super-herói que acha essa coisa de super-herói uma babaquice. Ryan Reynolds tem aqui a interpretação de sua vida. Um ator que muitos consideram insuportável. Mas que arrasa como Wade Wilson/Deadpool. Totalmente despido de ego. Afinal, ele se matou dentro e fora da tela para que esse projeto vingasse. Era praticamente sua última chance como astro de cinema. Com o estrondoso sucesso e carisma de Deadpool, agora Reynolds deu a volta por cima. Mas será que daqui para frente as pessoas só vão quer vê-lo como o mercenário tagarela?

O diretor estreante em longas Tim Miller mostra muita segurança. Ele entrega um filme com timing de comédia e de ação impressionantes. A montagem tanto acompanha a agilidade dos diálogos quanto a destreza e força das lutas, em coreografias excitantes e claras. O orçamento menor fica evidente em alguns momentos, principalmente, nos efeitos especiais. Não existe nada malfeito, e sim com menos textura. Mas o espectador não está nem aí. A atmosfera do filme é tão legal que certos aspectos mais toscos combinam bastante com toda a zoeira.

Agora os verdadeiros heróis de Deadpool, como a hilária sequência de abertura ressalta, são os roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick. Sem esse roteiro, Deadpool seria uma boa comédia de ação apenas. O roteiro tem diálogos afiadíssimos e escrachados  em suas autoreferências e metalinguagem, recursos derivados do personagem nas HQs. Outro ponto inteligente é a estrutura, usando de forma dinâmica os flashbacks. A trama é convencional. Herói ou anti-herói quer se vingar de bandido. O grande barato está na maneira como isso é feito. E o filme não é só zoeria (aliás, que chega a um nível inacreditável, tirando sarro do universo Marvel e de Hollywood). Os momentos dramáticos funcionam muito bem. Deadpool também é uma história de amor. Um amor menos convencional.

Outro acerto foi a campanha de marketing, criativa e que preservou muita coisa para o espectador curtir na sala de cinema. O filme é muito melhor do que mostram os trailers. A jogada brilhante foi brincar com o personagem em vídeos, cartazes etc., consolidando uma empatia com um público que nem sabia quem era Deadpool. Isso sem chatear o fã mais hardcore, que se divertiu do mesmo jeito com todo o material promocional do filme.

Deadpool mostra o ridículo do universo dos super-heróis, mas também reconhece que sem eles o mundo seria mais chato.

Deadpool (EUA, 2016), de Tim Miller, 108 min., Fox, Marvel e outros

AVALIAÇÃO: RUIM, REGULAR, BOM, MUITO BOM, EXCELENTE

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