PERSONAGEM, O ELEMENTO MAIS IMPORTANTE DA NARRATIVA PARTE 1

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ACREDITANDO NO PERSONAGEM (A CONEXÃO EMOCIONAL)

Há várias maneiras de narrar, de fazer ficção. Muitos autores não se destacam exatamente pela construção de personagens. Suas qualidades são outras. Experimentação da linguagem, uma conexão mais profunda com a poesia, o debate de ideias, a narrativa mitológica ou moral (lendas e fábulas), ou a crítica social e política por meio da sátira, da paródia, com personagens intencionalmente rasos. Outros inserem vários desses elementos em seus textos e ainda assim se preocupam com o desenvolvimento de personagens. E também existem os autores que querem ser claros e objetivos, querem ficar praticamente invisíveis, deixando a impressão de que a história é contada por si mesma.

Seja o autor mais preocupado com a linguagem e a forma, ou aquele que pretende conquistar a empatia do leitor da maneira mais direta possível. Em ambos os casos, quando há uma preocupação com o desenvolvimento de personagens,  a intenção é de contar histórias de uma maneira mais realista. Mesmo se tratando de ficção científica, fantasia e terror.

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Para isso, vários recursos narrativos podem ser utilizados, misturando técnicas da literatura, do teatro, do cinema e da televisão. Reviravolta, gancho, macguffin, a arma de Chehkov , sumário narrativo, diálogo, monólogo interior, montagem, ponto de vista, estrutura em atos, worldbuilding dentre outros.

Porém nada é mais importante do que a criação de personagens. Todo esse conhecimento citado acima não valerá muita coisa se o leitor não acreditar nos condutores da trama, no que fazem e dizem, sejam heróis, vilões ou coadjuvantes.

Mais do que elaborar uma trama cheia de suspense com um final de tirar o fôlego, mais do que cuidar de cada detalhe de um universo de fantasia original, é preciso que haja personagens interessantes o suficiente para que aconteça a tão esperada conexão emocional do leitor com a obra. E não estou falando de lágrimas baratas. Estou falando de compromisso com as etapas da jornada de um ou muitos personagens.

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Na prática, é muito fácil perceber quando essa conexão não acontece. Se a leitura de um romance muito bem escrito está arrastada ou você está pulando partes, provavelmente, os personagens desse texto não funcionam bem, não são cativantes.

UM PERSONAGEM DEVE SER A SOMA DE COMPOSIÇÃO (CORPO E PERSONALIDADE) + MOTIVAÇÃO (OBJETIVOS).

PERSONAGENS INTERESSANTES NÃO SÃO HERÓIS OU VILÕES O TEMPO TODO; POSSUEM FALHAS E FRAQUEZAS; E DEVEM SER IMPREVISÍVEIS, EM ALGUM MOMENTO.

O LEITOR SE APEGA A PERSONAGENS COM QUE PODE SE IDENTIFICAR DE ALGUMA MANEIRA.

MOTIVAÇÕES SÓLIDAS GERAM CONFLITOS INTENSOS, AUMENTANDO O SUSPENSE E O DRAMA DA NARRATIVA.

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Um exemplo bastante famoso de conflito intenso é a relação entre Batman e o Coringa, em várias mídias. Em seus melhores momentos nos quadrinhos, esse embate se torna algo muito caro ao leitor, porque ele tem sua identificação dividida ao meio, pelos dois lados da moeda. Batman com sua personalidade controversa e a motivação de fazer justiça por conta própria, numa sociedade corrupta. E o Coringa com sua personalidade distorcida e a motivação de mostrar que sanidade, lei e ordem podem ser, com frequência, sinônimos para hipocrisia pessoal e social.

Para o autor Andrew Miller, a chave para criar personagens é ter um entendimento mais profundo do ser humano: “Ao criarmos personagens, fazemos a nós mesmos perguntas importantes e honestas sobre nossa natureza e daqueles ao nosso redor. Nossas respostas são os próprios personagens (…). Assim que terminamos, estamos logo insatisfeitos com estas respostas, e começamos de novo, confusos, frustrados e entusiasmados.”

Para criarmos bons personagens, é preciso que a gente entenda melhor quem nós somos e que o mundo em volta é muito maior do que nossa comunidade, do que estamos acostumados.

Na PARTE 2, falaremos sobre A COMPOSIÇÃO DO PERSONAGEM, as várias maneiras de como descrevê-lo.

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1 comentário

  1. Sick Mind · outubro 28, 2015

    Esclarecedor

    Curtido por 1 pessoa

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